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sexta-feira, 30 abril 2004
No Túnel do Tempo (II)
Categoria: Túnel do Tempo
(exclusivo blogue do rio ave )
Noite de Regressos
O jogo de hoje à noite, frente ao FC Porto, vai trazer de volta a Vila do Conde, quatro antigos atletas do nosso clube: José Mourinho, Baltemar Brito e António André - todos eles na equipa técnica bi-campeã nacional - e ainda o jovem André Vilas Boas, que, apesar de contratualmente ligado ao nosso clube, deverá ingressar, a partir do próximo Verão, de forma definitiva, nos quadros do FC Porto.
Mourinho: das reservas do Rio Ave ao 'estrelato'
Em 1981/1982 o Rio Ave regressava ao convívio dos 'grandes'. O autor da proeza foi José Mourinho Félix, mais conhecido por Félix Mourinho, que, durante a temporada anterior, substituira Fernando Cabrita no comando técnico do nosso clube. A história da substituição do técnico, a meio da época 1980/1981, não deixa de ser curiosa: Cabrita estava a atingir o objectivo a que se propusera - o Rio Ave era 1º na 2ª Divisão Zona Norte - mas os adeptos estavam insatisfeitos com as exibições e opções do técnico e a política de aquisições do treinador também era muito criticada. Assim, Mourinho chega ao Rio Ave à 20ª Jornada, e apesar da má estreia (empate caseiro com o Fafe), consegue segurar a liderança e a subida de divisão.
No ano do regresso à divisão maior, foram várias as aquisições: entre elas, figurava o nome de José Mário dos Santos Mourinho Félix, filho do treinador, antigo júnior do Belenenses, na altura com 18 anos, que vinha reforçar o plantel reservista do nosso clube, enquanto estudava no ISEF.
Na verdade, Mourinho limitava-se a treinar e nem sempre jogava, às quartas feiras, pelas reservas do nosso clube, mas na deslocação a Belém, jogo que encerrava a 1ª volta do campeonato, com o Rio Ave num brilhante 3º posto, o seu pai, antiga glória do emblema do Restelo, convocou-o para essa partida e José Mourinho sentou-se no banco, como prova a ficha do jogo, retirada do jornal 'Informação Vilacondense' que a seguir apresentamos:


Nesse dia 16 de Janeiro de 1982, Mourinho sentou-se no banco, mas não chegou a entrar, naquela que terá sido uma 'prenda' antecipada de aniversário, pois o jovem jogador, 10 dias depois, completaria o seu 19º aniversário.
Só que não mais o voltou a fazer, isto apesar de ter sido convocado para a partida da 29ª Jornada, frente ao Sporting, em Alvalade, jogo que marcava a festa do título dos 'leões'. O Rio Ave foi 'brindado' com um terrível 1-7, que, no entanto, não apagou a época brilhante do nosso clube, que alcançou a sua melhor classificação de sempre - o 5º lugar. Mas um episódio marcou os momentos antes do jogo: Félix Mourinho, à partida, dera indicações que o seu filho seria o 17º jogador - ou seja, ficaria a ver o jogo da bancada. Só que, momentos antes da partida, José Maria Pinho, o presidente do Rio Ave na altura, reparou que Mourinho filho estaria entre os 'eleitos', devido a uma lesão do central Figueiredo, e não ficou satisfeito com a situação: desceu até aos balneários e deu ordem para que o jovem José se desequipasse. Mourinho pai acatou a decisão presidencial e o 'sonho' de estreia na divisão maior de José Mourinho ficou, como jogador, eternamente adiado, isto apesar de ter rumado, na temporada seguinte, ao Belenenses, que, entretanto, caíra na 2ªDivisão.
Nessa partida de Alvalade, disputada a 16 de Maio de 1982, o Rio Ave alinhou com: Trindade - Sérgio, Brito, Dias, Duarte - Quim, José Manuel, Adérito, Cabumba - Paquito, Álvaro. Dodat e Válter foram os suplentes utilizados. O golo do Rio Ave foi apontado por Álvaro, enquanto que pelo Sporting os marcadores foram Jordão - fez 5 golos - e Manuel Fernandes, que bisou.
Baltemar Brito: o 'guarda-costas'
Quem assim o definiu foi, por brincadeira, José Mourinho. No entanto, há algo que ressalta da sua carreira: como jogador, foi sempre o 'central de confiança' de Mourinho Pai, enquanto que como treinador, é o 'adjunto de confiança' de Mourinho Filho.
O central pernambuco chegou ao Rio Ave, em 1980/1981, após passagens pelo Vitória Guimarães, Paços de Ferreira e Feirense. Tinha já 29 anos quando, por indicação de Fernando Cabrita, assinou pelo Rio Ave. Formou com Soares, uma dupla segura, que (re)conduziu a nossa equipa à divisão maior, já com Félix Mourinho no comando técnico da equipa. Na época seguinte, a melhor de sempre do nosso clube, manteve-se em Vila do Conde, formando agora dupla com o experiente Figueiredo.
Em 1982/1983 abandonou o nosso clube, rumando, com Félix Mourinho, para o Vitória de Setúbal. Mas, na época seguinte, com o regresso de Mourinho ao Rio Ave, também regressou, desta feita para fazer dupla com Antero, jogando a Final da Taça de Portugal com a camisola do nosso clube. Em 1984/1985, ainda com Mourinho, completou o seu último ano no nosso clube, jogando ao lado de Antero ou Santana, mesmo depois da subida de Mário Reis a técnico principal, pois Félix Mourinho foi despedido a meio da temporada.
Em 1985/1986 rumou ao Varzim, treinado por Mourinho pai, onde terminou a carreira de futebolista, iniciando, sem sucesso, a de treinador.
André: a porta fechada

No início da sua carreira, aquele que veio a ser um dos melhores médios defensivos do futebol europeu da segunda metade da década de 80/início da década 90, tentou a sua sorte no Rio Ave. Com a humildade que se lhe reconhece, anos mais tarde, já titular do FC Porto e da Selecção, relembrou essa história: 'Eu queria jogar no Rio Ave. Fui treinar às camadas jovens, mas bateram-me com a porta na cara'.
No Varzim acabou por ser aceite, dando no nosso 'rival' os primeiros passos para uma carreira de inegável sucesso, onde venceu como jogador, e agora como adjunto, praticamente tudo o que havia para ganhar.
André Vilas Boas: jovem da 'cantera' do Rio Ave à procura do sucesso na 'era do Dragão'

André Filipe Monteiro Vilas Boas, jovem de 20 anos, é um dos Campeões Nacionais 2003/2004, pois jogou na deslocação dos 'dragões' a Paços de Ferreira, e está convocado para a partida de amanhã, frente ao Rio Ave, podendo jogar, pela primeira vez, frente à equipa que o formou, e com a qual tem contrato, já que está emprestado ao FC Porto, que terá que exercer a opção de compra até ao final desta temporada.
Jovem produto das escolas do nosso clube, estreou-se na formação principal, com apenas 18 anos, na recepção ao Nacional da Madeira, da 26ª Jornada da Liga de Honra 2001/2002, numa altura em que a nossa formação era orientada por Horácio Gonçalves. Aliás foi com esse treinador que acabou por ter mais oportunidades, quer nessa época, quer no início da seguinte, chegando mesmo, a espaços, a fixar-se como titular, mas com Carlos Brito acabou por ter menos oportunidades.
Foi campeão da Liga de Honra a temporada passada pelo Rio Ave, tendo, no Verão passado, transferido-se, por empréstimo, para o FC Porto, apesar de também ter sido pretendido pelo Benfica.
RM
Publicado por blogue do rio ave às 03:00