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domingo, 20 junho 2004
Grande Entrevista de Paulo de Carvalho ao 'Primeiro de Janeiro'
Categoria: Acto Eleitoral 2004
Entrevista de Paulo de Carvalho a Paulo Vidal, do jornal O Primeiro de Janeiro.
O regresso de Paulo de Carvalho
O abandono de Pedro Soares deixou Paulo de Carvalho a correr sozinho para a presidência do Rio Ave Futebol Clube. Dois anos depois de ter abandonado o emblema vila-condense, o engenheiro civil, que exerce funções na câmara municipal, regressa à vida activa desportiva da colectividade mais representativa da cidade. As eleições para os órgãos sociais do Rio Ave realizam-se dois dias depois do feriado de São João em Vila do Conde, 26 de Junho.
O que o levou a voltar novamente ao Rio Ave?
Eu entendi que, a partir do momento em que esta Direcção, nomeadamente o presidente Carlos Costa, disse que não tinha disponibilidade para continuar – e disseram-no de forma veemente, ou seja, não havia hipótese de haver uma inversão nesta posição –, e face àquilo que tinha sido os contactos que me foram sendo feitos e as formulações de vontade que me foram chegando por parte de algumas pessoas, entidades, sócios e dirigentes, começou a mexer um bocado com a minha vida pessoal, familiar e profissional.
A partir de determinada altura, o engenheiro Mário Almeida, numa atitude que a mim me sensibilizou bastante, colocou-me frontalmente este desafio. Acho também que, durante estes dois anos que estive fora do Rio Ave, o clube precisava de ter uma intervenção em determinadas áreas. Era preciso um esforço directivo neste sentido, que justificava claramente a presença de alguém que já tinha estado lá, alguém que conhecesse bem o Rio Ave e as necessidades do clube. Não pensando claramente que o meu regresso pudesse acontecer tão cedo e em prejuízo da minha vida familiar, eu aceitei este desafio.
Quais são os principais objectivos a atingir no próximo biénio?
São três vectores importantes de acção. Um deles é cuidar para que o resultado desportivo fosse aquele que seria entendido como melhor, que é o Rio Ave manter-se na I Liga. O outro vector tem a ver com uma situação que tinha começado a dar início a ela, tem a ver com a rentabilização de um edifício de manutenção cara, muito grande, muito bem localizado e que não está devidamente explorado. A única coisa que se faz nesse edifício, a nível de público, é um espectáculo que é oferecido de 15 em 15 dias. Portanto, deveria ser melhor rentabilizado aquele edifício, aquele espaço e aquela localização. O terceiro vector tem a ver com uma dinâmica diferente a empreender nas camadas jovens. Pretendo uma mais rápida adaptação daquilo que é o produto das nossas camadas jovens com aplicação no plantel sénior e, com isto, a retirada de melhores dividendos financeiros, numa tradução de menor investimento mas maior rentabilidade.
Quando deixou a Direcção do Rio Ave em 2002, tinha definido um projecto para o estádio. Agora que está de regresso, vai tentar concretiza-lo?
Na área das infra-estruturas, da optimização do espaço do estádio, não será propriamente aquilo a que se chama de resultado directo do investimento. Existe um investimento cujo resultado é indirecto, que pode ser feito naquele estádio, naquela infra-estrutura, e que se traduz numa maior aproximação dos vila-condenses ao Rio Ave e, com isso, num aumento do número de sócios, num aumento da capacidade de mobilização e num novo mercado que possa surgir à volta do clube. A criação de um espaço comercial com áreas de lazer, que podem passar pelas áreas lúdicas e culturais, pelos pontos de encontro e pelas zonas de serviços que o Rio Ave possa oferecer naquele local, são claramente, para mim, índices que permitem antever que esse tipo de investimento pode ser rentável a esse nível.
Nos últimos anos, foi valorizado o aspecto desportivo do clube e o aspecto material, mas a nível de infra-estruturas sofreu um pouco com isso. Daqui para a frente, como vai ser?
O que eu penso que aconteceu no Rio Ave, sem ser critico, é que o clube perder uma oportunidade de ter um óptimo aliado para desenvolver essa área e esse aliado chama-se vitória. Foram duas épocas fantásticas e, quando os resultados desportivos ajudam, tudo é feito com outra carga. O sentido positivo é muito mais fácil de alcançar do que se não tivessem esses resultados desportivos. Desenvolver trabalho sem resultados desportivos é obviamente mais pesado, mais duro, menos motivador. Portanto, eu acho que se perdeu essa oportunidade, mas a semente foi lançada, está em gestação. O que me motiva como dirigente é colocar o Rio Ave numa perspectiva de futuro, assente sobre alicerces que lhe permitam encarar o futuro com optimismo.
De que forma analisa a desistência do candidato Pedro Soares?
Eu tenho pena que a candidatura do professor Pedro Soares não tenha conseguido os apoios que precisava, porque o facto dele se ter candidatado e de ter levado a candidatura até ao fim teria valorizado aquilo que é o dirigismo no Rio Ave. Eu digo valorizado porque as pessoas dizem algumas vezes que são sempre os mesmos, lá vão eles outra vez, não saem de lá porque aquilo é agradável e o «tacho» é bom. O que é certo é que é muito mais fácil criticar, é muito fácil dizer que é fácil marcar um penálti, o pior é quando se tem que marcar o penálti, quando tem que se assumir que temos de marcar o penálti, isso é que é complicado. A vinda do professor Pedro Soares para uma possível candidatura traria uma dinâmica ao Rio Ave, que ajudaria amortizar esta sensação que existe, obrigaria aos sócios se envolverem, obrigaria os sócios a se manifestarem, a eleger uma Direcção que entendessem como sendo a melhor e os obrigasse, nesse sentido, a fazer avaliações entre uma e outra candidatura, entre um e entre outro dirigente. Louvo a coragem do professor Pedro Soares, porque hoje em dia é muito difícil ser-se dirigente.
Vai ser muito difícil igualar os resultados desportivos das duas últimas épocas?
Há uma coisa que, desde que entrei para a Direcção do Rio Ave, identifiquei sempre. Quando as coisas correm mal, os dirigentes são sempre os responsáveis e têm que dar a cara; Quando as coisas correm bem, quem recebe os louros são, normalmente, os treinadores e os jogadores. Portanto, isso é uma coisa que não tem a ver com o Rio Ave, tem muito a ver com a forma de sentir do adepto e que eu não censuro. Relativamente ao aspecto desportivo, nem eu nem nenhum dirigente do Rio Ave tem a veleidade de pensar que parte para uma época na perspectiva de ir conseguir melhor do que aquilo que este elenco que agora cessou conseguiu nos últimos dois anos.
A lista que apresenta às eleições é a lista possível ou a desejada?
Esta lista assenta em dois pilares importantes. O primeiro é, de facto, aquele que o Rio Ave não pode prescindir, que são algumas pessoas que estão à volta da estrutura do clube com um papel preponderante, um papel interventivo e um papel de trabalho e que formam a chamada veterania desta Direcção, que é importante manter. O segundo é o pilar da juventude, eu pretendo que estes jovens que cá estão, com uma mentalidade mais ampla, muito mais aberta, atinjam, com a sua acção, nichos que envolvam o dirigismo e a gestão do clube, nichos que até aqui não foram desenvolvidos. Trata-se de uma lufada de ar fresco no clube, é preciso renovar ideais, é preciso gente com garra, coragem, tempo e determinação, para agarrar projectos.
Relvar o campo de treinos e colocar cadeiras em todo o estádio são as principais e imediatas intervenções a serem realizadas?
Este foi o último ano em que o Rio Ave não podia ter bancadas sem cadeiras. Também reconheço que este é um esforço absurdo que é pedido aos clubes e penso que o Rio Ave, tal como os outros, teve grandes dificuldades em o fazer. O Rio Ave não o fez e foi adiando esta intervenção, mas eu ainda tenho que ver exactamente qual é o nível de exigência e até que ponto podemos fazer uma intervenção gradual de colocação de cadeiras. Relativamente ao arrelvamento do campo de treinos, mesmo que não fosse obrigatório, por aquilo que já disse atrás, o Rio Ave ganharia muito se conseguisse aproximar aspectos técnicos desenvolvidos na fase da formação e da educação desportiva das camadas jovens, ganharia muito nesta aproximação ao futebol sénior.
O futsal e os veteranos são duas secções do clube a ter em conta?
Reconheço que a modalidade de futsal tem tido uma evolução enormíssima dentro do Rio Ave, tem tido um resultado extremamente positivo naquilo que possa ser o envolvimento de pessoas relativamente às infra-estruturas do clube. Essa pode ser outra âncora, o futsal pode servir para a aproximação de pessoas que não estão tão perto do clube. A actividade do futsal, porque foi muito bem gerida e orientada nestes dois anos que esteve ligada ao Rio Ave, é uma modalidade que já criou raízes na estrutura do clube e, portanto, nada mais há a fazer do que manter e criar condições para que ela possa vir a registar maior ou pelo menos igual desenvolvimento registado até aqui. Relativamente aos veteranos, têm sido geridos de forma exemplar, o que permitiu que o Rio Ave, através deles, fosse um bocado disseminando a sua imagem pelo País e pelo estrangeiro.
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QUEM É...
Paulo de Carvalho
Paulo Alexandre Guia de Carvalho nasceu no último mês do ano de 1960 no Rio de Janeiro, mas desde muito pequeno trocou o calor do Brasil pela beleza de Vila do Conde. Actualmente com 43 anos, o engenheiro civil da câmara municipal é casado e pai de dois filhos. Depois de 11 anos como dirigente do Rio Ave, a maior parte dos quais como presidente de uma Comissão Administrativa, Paulo de Carvalho regressa ao emblema vila-condense onde se sagrou campeão nacional da Divisão de Honra na temporada 1995/96 e ascendeu ao Campeonato da I Divisão.
Publicado por blogue do rio ave às 01:46