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domingo, 31 outubro 2004

Rio Ave - Académica: Historial

Categoria: Túnel do Tempo


Superioridade clara do Rio Ave

Em 13 jogos em Vila do Conde, o Rio Ave conseguiu vencer oito e apenas perdeu por uma vez. Se só contarmos os jogos na divisão maior a superioridade do Rio Ave ainda é mais clara: em 6 jogos, 5 vitórias para o Rio Ave, sendo que o único empate foi com Carlos Brito como técnico, em 98/99, num jogo em que o Rio Ave comemorou a manutenção na divisão maior frente a uma Académica que acabou por descer à Liga de Honra.

A história está claramente do lado do Rio Ave para este confronto que, fruto das lutas pelas subidas, a nível da Liga de Honra, criou uma certa rivalidade entre os dois conjuntos, com jogos emocionantes e excelentes 'casas', fruto do apoio inequívoco da massa adepta da 'Briosa', que costuma deslocar-se em peso ao nosso estádio.

A goleada 'salvadora'

Em 1986/1987, o Rio Ave recebia a Académica com a 'corda na garganta'. Era a penúltima jornada da 1ªDivisão, e o nosso clube precisava de duas vitórias para assegurar a presença na famosa 'Liguilha', à qual estava condenado o 13º classificado da divisão maior, evitando a descida do 14º posto. António Morais, na altura técnico do Rio Ave, tinha uma missão quase impossível, sabendo-se que o nosso clube, nos 6 jogos anteriores, apenas tinha ganho uma vez e tinha acumulado 4 derrotas. Apesar da necessidade de vencer, Morais teve algumas cautelas, reforçando o meio campo, mas deixando o ataque entregue a Chico Faria e Moreira de Sá. Acabariam por ser estes dois jogadores a abrirem o caminho para a vitória, com um golo cada, seguindo-se um 'bis' da arma secreta Jaime Graça, que saiu do banco para sentenciar a goleada. A vitória abriu caminho para o 13º lugar: confirmado num jogo épico em Portimão, onde o Rio Ave a perder por 0-2, conseguiu 'virar' para 3-2 garantindo a ida à 'Liguilha', que viria a vencer sem grandes dificuldades.

O fim de dois sonhos de subida

Em 91/92 e 92/93, o Rio Ave-Académica acabou por ser decisivo para desfazer os sonhos de subida de divisão da nossa equipa. Em 91/92, com o Rio Ave em 'alta', o jogo frente à Académica confirmou uma viragem para uma série de resultados negativos - apenas 1 vitória em 7 jogos -, deixando o nosso clube no 4º lugar, enquanto que na temporada seguinte, a derrota frente à 'Briosa' ditou o fim do sonho, numa altura em que a equipa estava em clara quebra, como se confirmou com a série de 5 derrotas consecutivas nas últimas 5 partidas da temporada.

Em 91/92, o Rio Ave - Académica disputou-se à 20ª Jornada. O Rio Ave a fazer uma excelente temporada, defrontava a Académica, que esgotava as suas últimas oportunidades para se intrometer na luta pela subida. A nossa equipa, no entanto, deparou-se com um grave problema: na jornada anterior, perdeu em Ovar, por 0-2, com uma actuação vergonhosa do árbitro Vicente Reis, que expulsou Cao e Carlos Brito, deixando-nos sem defesas centrais, pois também nesse mesmo jogo, o central Alfaia contraiu uma lesão grave. Augusto Inácio foi obrigado a colocar Farrajota - que nunca tinha jogado - e Paulinho Santos no papel de centrais frente à Académica, situação que custou muito caro: nos minutos iniciais a Académica, empurrada por uma arbitragem habilidosa de Mário Leal, apontou dois golos e ficou com uma vantagem confortável. Só que o Rio Ave soube reagir, com Paulinho Santos a 'todo o terreno' a realizar uma actuação notável, a que se juntou o 'poder de fogo' do caboverdiano Toni, que apontou os 2 golos que permitiram ao Rio Ave chegar à igualdade. A fantástica recuperação fazia crer que a nossa equipa poderia aspirar à subida de divisão, mas, a partir daí, apenas venceu mais 4 jogos até ao fim da temporada, pagando a excessiva juventude da maior parte da equipa, assim como as lesões e os abaixamentos de forma de jogadores nucleares.

Em 92/93, a história do Rio Ave - Académica era bem diferente. A 4 jornadas do fim do campeonato, o Rio Ave tinha a última hipótese de aspirar à subida de divisão, um objectivo que, na mudança de volta parecia atingivel, mas que, no decorrer da segunda, foi-se desfazendo lentamente. A Académica, por sua vez, sabia que se conseguisse uma vitória em Vila do Conde, só muito dificilmente não alcançaria a desejada subida de divisão. O jogo foi 'quente', com as duas bancadas muito bem preenchidas, mas o Rio Ave acabou por ter uma contrariedade grave de última hora: o guarda redes Joel lesionou-se, obrigando Vieira Nunes, na altura treinador do Rio Ave, a chamar o jovem Sérgio à titularidade, que acusou a responsabilidade de defender as redes vilacondenses num jogo tão importante. A isto ainda se juntaram algumas decisões tácticas menos felizes de Vieira Nunes, como a colocação da dupla Spassov-Miguel Barros de início na frente do ataque, deixando Gama e Pelé Maboang no banco dos suplentes. A Académica venceu bem, pois mostrou ser melhor equipa, com alguns rasgos de génio de Latapy, a 'pérola' negra de Coimbra, bem acompanhado pelo seu compatriota Lewis. Depois do golo, cenas lamentáveis dentro - Gamboa foi expulso depois de agredir um adversário - e fora do campo, que acabaram por prosseguir nas imediações do estádio, quando os adeptos da 'Briosa' festejavam a subida de divisão, que acabou por não se concretizar, devido a um nulo frente ao Aves, num jogo em que os conimbricenses terão batido o 'record' de bolas ao ferro num jogo de futebol. Curiosamente, o técnico da Académica era José Rachão, que se transferiu, na temporada seguinte, para o Rio Ave, trazendo consigo dois jogadores da 'Briosa': Falica e Zé da Rocha.

O 'poker' de Hugo Henrique e a goleada histórica

Em 2000/2001, Rio Ave e Académica encontraram-se em Vila do Conde, a 17 de Dezembro de 2000, num jogo a contar para a 15ª Jornada da Liga de Honra. A nossa equipa atravessava a melhor fase da temporada e estava a relançar-se na corrida pela subida, depois de um início de época intermitente, enquanto que a Académica vivia uma fase de transição, pois Carlos Garcia, depois de um início de época abaixo das expectativas, tinha sido despedido e substituido pelo marroquino Hassan.

No entanto, nada fazia prever o desequilibrio que se veio a verificar - o Rio Ave, graças a uma segunda parte memorável, 'despachou' a 'Briosa' por 6-0, com Hugo Henrique a apontar 4 golos, tornando-se, de forma indiscutivel, na figura do jogo. Evandro e Alércio apontaram os restantes tentos, de uma vitória épica - na altura a oitava, em 9 jogos consecutivos sem conhecer a derrota.

Entre os que alinharam nessa partida ainda há jogadores nos actuais planteis de ambas as formações: Niquinha - que foi capitão -, Miguelito, Gama e Evandro no Rio Ave ; Pedro Roma - que sofreu os 6 golos.

Para a história a equipa do Rio Ave, orientada tecnicamente por Vítor Oliveira, que alinhou nessa partida:

Tozé - Armando, Jorge, Maurício, Nito - Luis Coentrão, Niquinha, Miguelito - Evandro, Gama - Hugo Henrique

Suplentes Utilizados: André Jacaré, Alércio, Bolinhas

Todos os Jogos:


2003/2004 - 3/2 - V - Tixier (pb), Ronny van Es, Niquinha / Joeano (2)

2001/2002 - 2/2 - E - André Jacaré, Evandro / Dário, Luis Nunes
2000/2001 - 6/0 - V - Hugo Henrique (4), Evandro, Alércio
1998/1999 - 1/1 - E - André Jacaré / Luis Filipe
1997/1998 - 3/0 - V - Niquinha, Luis Coentrão, Gama
1995/1996 - 1/0 - V - Omer
1994/1995 - 1/1 - E
1993/1994 - 2/1 - V - Pelé Maboang, Clint / Zé Duarte
1992/1993 - 0/1 - D
1991/1992 - 2/2 - E - Toni (2) / ...
1987/1988 - 2/1 - V
1986/1987 - 4/0 - V - Moreira de Sá, Chico Faria, Jaime Graça (2)
1984/1985 - 1/0 - V

Curiosidades:

-- Niquinha fez golo decisivo o ano passado e já tinha feito um em 97/98;
-- Evandro, até à época passada, tinha marcado sempre frente à Académica em casa - ano passado não marcou, mas esteve em destaque;
-- Gama fez em 97/98.. será hoje que regressa aos golos?
-- O 'bis' de Joeano no ano passado, a repetir?

Estatísticas:

I Liga: 6 jogos, 5 vitórias, 1 empate, 0 derrotas, 14 golos marcados / 4 golos sofridos

II Liga: 7 jogos, 3 vitórias, 3 empates, 1 derrota, 14 golos marcados / 7 golos sofridos


Totais: 13 jogos, 8 vitórias, 4 empates, 1 derrota, 28 golos marcados / 11 golos sofridos

Publicado por blogue do rio ave às 13:36

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