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domingo, 6 março 2005

Triunfo com sabor a Europa

Categoria: Jogos 2004/2005

Vitória do Rio Ave pela margem mínima, numa partida que conheceu um primeiro tempo onde o domínio dos da casa foi avassalador e ao qual, só o desacerto atacante e a inspiração do moreirense João Ricardo impediram que a turma verde-branca saísse para o intervalo com uma vantagem mais expressiva. No segundo tempo o jogo caiu de qualidade, tendo o Moreirense tomado as rédeas da partida, mas sem criar perigo junto das redes de Mora. Ainda quem esteve mais próximo do golo foi sempre o conjunto de Carlos Brito, a única equipa que fez para vencer. Conseguiu-o e ascendeu ao 6º posto da Superliga, ocupando um dos lugares de acesso à Taça UEFA.

Enquadramento O Rio Ave regressava a Vila do Conde, depois do empate da passada semana em Aveiro, numa partida com mau futebol e, não só pretendia regressar às vitórias, como também dar seguimento ao registo imaculado que o seu reduto mantém, em termos de derrotas, há mais de um ano. Carlos Brito contando com o regresso de Mozer, Miguelito e Evandro, depois de cumprido o jogo de castigo, apenas enfrentava a contrariedade das lesões de Paulo César e Valente, a juntar à súbita indisponibilidade de Delson, ao princípio da tarde de hoje, devido a complicações gástricas. Brito apostou num esquema de 4x3x3, com os sectores a revelarem óptimo entendimento e uma vicariância, a meio campo, fazendo crer que o fantasma Ricardo Nascimento está, definitivamente, afastado. Já o Moreirense, de Vítor Oliveira, não partia para esta jornada com a mesma serenidade dos vilacondenses pois, apesar da recente série de bons resultados (duas vitórias e um empate), não lhe convinhar sair derrotado de Vila do Conde, para manter a equipa acima da linha de água. Cauteloso, o técnico dos vimaranenses delineou um 4x1x2x3, com três unidades volantes na frente, mas apostando, sobretudo, num miolo povoado e num futebol directo, de contenção, exclusivamente talhado para o contra-golpe.

Show de bola. Primeira parte fantástica do Rio Ave. Foi desde o primeiro minuto de jogo que cedo se notou quais as intenções das duas equipas e, claramente, o Rio Ave fez passar a sua mensagem com a máxima transparência - vencer, jogando bem. As oportunidades surgiram a um ritmo avassalador, do minuto 3 ao minuto 45 contaram-se 11 (!) oportunidades de golo. Não, não é exagero. Com o domínio das operações a meio-campo, onde Junas Naciri, Mozer e Niquinha abriam jogo, ora em jogadas de futebol curto e adornado, ora em passes em profundidade, executados em bom rigor. A defesa do Moreirense fazia o que podia, com destaque para João Ricardo, pois o guarda-redes foi o travão da goleada, seguramente. O triângulo ofensivo do Rio Ave operava em força e foi com naturalidade que Gaúcho, a 10 minutos do intervalo, desfez o nulo e sacudiu as redes do Moreirense, assistido por Zé Gomes. Até aí, o conjunto visitante só assustara Mora uma única vez, num potente remate de Vouzela, do meio da rua.

Uma lesão, outro golo falhado. Estava o Rio Ave a dar seguimento ao seu domínio sobre o Moreirense quando Niquinha, numa disputa de bola, se lesiona com alguma gravidade e é forçado a sair, para dar lugar a Alexandre. O meio campo dos da casa, nunca mais foi o mesmo. Instantes depois, já com onze contra onze, a imagem desta partida: «Grande lançamento de Mozer para Zé Gomes, mas o lateral falhou o chapéu a João Ricardo, que ficou muito curto». Mais uma vez, o guarda-redes do Moreirense demonstrava que esta era a sua tarde e o Rio Ave, jogando um futebol muito bom, apenas continuava a pecar na finalização. Caía a primeira metade de uma partida, de um só sentido, o da baliza dos vimaranenses.

Tanto tédio, tanto frio Quando se fazia esperar uma boa réplica dos «cónegos» e uma resposta à altura dos da casa, tentando ampliar o 1-0, eis que a partida da primeira parte quase é esquecida, tamanha foi a quebra de qualidade neste segundo tempo. Com um Moreirense mais dominador, contando com as entradas de Fernando, Nei e Afonso Martins, o Rio Ave deu boa conta do recado, dando máxima consistência à defesa, mas descurando um pouco o meio-campo, onde por vezes se notou que a transição defesa-ataque teria que passar por lançamentos longos e inconsequentes para a frente, e passou. Atenção, porque engane-se quem pense que o Moreirense conseguiu criar alguma situação clara de golo, pois Mora teve uma tarde tranquila... O maior susto surgiu da cabeça de Nei, sobre o minuto 80, com a bola a passar ao lado da baliza do guarda-redes catalão. Ainda assim, as duas melhores ocasiões deste segundo tempo voltaram a pertencer aos da casa, Saulo (após assistência fantástica de Alexandre) e depois Gaúcho, voltaram a testar a valia de João Ricardo, o herói da partida. Terminava, em festa para o público da casa, um jogo de duas caras, mas com um vencedor incontestável, o Rio Ave FC.

Prólogo Vitória justa, numa tarde de sinal verde, mas apenas para os da casa. Muitas foram as oportunidades criadas, em especial nos primeiros quarenta e cinco minutos, e outros tantos foram os desperdícios. Bastou um único golo de Gaúcho, o quarto nesta Superliga, para dar 3 pontos à sua equipa, a manutenção quase certa e a subida ao 6º lugar, com direito a UEFA. O Moreirense deixou uma má imagem em Vila do Conde. Sem desprimor para os vimaranenses, aquele primeiro tempo, pela passividade, fez lembrar uma equipa humilde, de Liga de Honra. Vítor Oliveira deve exigir mais dos seus atletas, pode ser que os regressos de Ricardo Fernandes e Primo, dêem maior consistência à defesa e as coisas passem a funcionar um pouco melhor, pois a manutenção está longe de ser uma miragem.


O duro. Bruno Mestre. Numa partida correcta, em que apenas foram mostrados dois cartões amarelos - um deles a punir um golo marcado por Gaúcho (castigo que o imperdirá de defrontar a Académica, na próxima jornada), com a mão - o jogador do Moreirense, pela dureza da entrada que teve sobre Miguelito, parece ter sido o menos dado ao jogo limpo que caracterizou a partida desta tarde. Nota para o bom trabalho do lisboeta Hélio Santos.

O dandy. Gaúcho. O seu golo valeu três pontos, mas até lá ainda fizera sofrer os adeptos da casa. Duas perdidas, quase a cheirar o escândalo, a juntar-se a uma outra em que, com tudo para cabecear, colocou a bola na baliza contrária... com a mão! O brasileiro esteve mexido, rematou sempre com perigo e parece que, nas jornadas que lhe restam de Superliga 04/05, quer fazer valer o seu crédito de 3º melhor marcador, no activo, da Liga Portuguesa.

Que pesadelo! Primeira parte do Moreirense. Nível zero. Aturdidos pelo domínio do Rio Ave, os jogadores orientados por Vítor Oliveira, foram domados sem mácula (mérito ao Rio Ave, claro) e apenas não saíram de Vila do Conde vergados a um resultado mais expressivo, pois o guarda-redes João Ricardo defendeu tudo o que pôde.

Melhor em Campo. João Ricardo. Com uma série de saídas, vôos e antecipações aos avançados contrários, fez uma exibição fantástica. Repartiu pelo primeiro e segundo tempo, várias acções que lhe valem este 'prémio', por larga margem de vantagem. O Moreirense deve-lhe a derrota pela margem mínima.

Publicado por blogue do rio ave às 23:09

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