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terça-feira, 14 junho 2005

Paulo de Carvalho: «Objectivo é fortalecer os canais desportivo e organizacional com o FC Seoul»

Categoria: Entrevistas

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Antes partida para a viagem à Coreia do Sul, o Blogue do Rio Ave falou com Paulo de Carvalho e abordou, não só os propósitos desta deslocação a Seul, bem como todo o processo de construção do plantel para 2005/2006, a nova equipa técnica ou o futuro do nosso Estádio. De referir que no passado domingo (12 de Junho), Paulo de Carvalho e Paulo Fangueiro, assistiram ao empate caseiro (1-1) do FC Seoul de Franco (suplente não utilizado) e Ricardo Nascimento (titular) frente aos campeões em título, os Suwon Samsung Blue Wings. Num curto espaço de tempo, é a terceira entrevista à disposição de todos os sócios e adeptos do Rio Ave, aproveitemos esta 'onda positiva'! A ver se tem continuidade...


-- Qual é o propósito desta viagem à Coreia do Sul?
-- Esta viagem engloba-se numa estratégia abrangente que se encontra definida para o Rio Ave. A equipa precisava de ser restruturada, mexida. Também sabíamos que havia uma probabilidade grande do Carlos Brito sair, como de facto veio a acontecer. Era preciso resolver esses problemas. Ainda a época estava a decorrer e já se tinha começado a trabalhar no sentido de construir uma estrutura que permitisse encarar com garantias a SuperLiga 2005/06. Depois de conseguido isto, e felizmente que o Rio Ave teve respostas positivas e foi possível contratar com rapidez, o segundo passo seria dar ao clube aquilo que tem sido a preocupação deste executivo. Quando tomámos posse, foram estabelecidos três pilares fortes em termos de estratégia. Manutenção da equipa na SuperLiga, reforço das estruturas e manutenção dos juniores no campeonato nacional e, quem sabe, a subida de uma outra equipa, como pode acontecer agora com os juvenis. Dotar as camadas jovens de infra-estruturas, de equipamentos que pudessem suportar os desafios. Outro pilar seria transformar o edifício Rio Ave numa estrutura rentável, tanto quanto possível.

-- Mas então quais são os esforços que este elenco directivo tem desenvolvido de molde a tornar toda a estrutura do Rio Ave mais rentável?
-- Ao longo deste primeiro ano fizemos alguns contactos. Aconteceram movimentações e elaborámos alguns ante-projectos de abordagem a esta estrutura. Simplesmente, o país vive um momento de forte retracção financeira e não tivemos aquele acolhimento de que necessitávamos. Resolvemos então, face à oportunidade que nos surgiu por via da abertura de um mercado emergente como o asiático, dar acolhimento ao interesse por alguns dos nossos jogadores. Isto aproximou-nos não só em termos desportivos mas também em termos estruturais da instituição. A nossa viagem à Coreia do Sul tem como objectivo estreitar esta relação, aprofundá-la e se calhar conseguir fazer dela outras coisas que possam ter a ver não só com o fortalecimento do canal comercial em termos de jogadores, mas também da própria interligação entre o que é o funcionamento de um clube e de outro. Acredito que possamos ser uma ilha que os clubes coreanos possam utilizar na península ibérica.

-- E esta aproximação dos sul-coreanos ao Rio Ave, acha que se deveu a algum facto em especial?
-- Eles acharam que o Rio Ave tem uma dimensão interessante para eles em termos de trabalho. Acharam que o Rio Ave contrata bem e tem uma filosofia de implementação do futebol que lhes agrada. Gostaram ainda da maneira como os dirigentes abordam uma época desportiva e isto pode ser fundamental para que esse estreitamento crie uma apetência por novas situações e parcerias. Imaginem que em vez de trabalharem com empresários ou olheiros, por exemplo, o Rio Ave poderia desempenhar essas funções, observando no mercado ibérico e europeu jogadores que pudessem interessar a clubes coreanos, contratando-os e servindo de ponto para atletas que pretendessem utilizar. Isto seria óptimo para o Rio Ave. Do ponto de vista extra-futebol, uma relação institucional pode ter bons resultados na medida em que o futebol coreano assenta numa estrutura empresarial que nada tem a ver com o futebol. Os clubes pertencem a empresas que não têm a prática desportiva como actividade central, ou "core business". Imagine que alguma dessas empresas possa estar interessada em abrir portas para novos mercados através do Rio Ave? Vamos estreitar a relação, agradecer o que tem sido feito entre os dois clubes, aproveitar este convite que nos foi feito e creditar valor do nosso clube na Coreia do Sul e tentar promover este tipo de relação.

-- Falando novamente na 'estrutura' do clube, outra das questões que preocupa os sócios é a situação do Estádio do Rio Ave FC. Está em agenda algum projecto ou iniciativa que vise melhorá-lo, como aconteceu com os estádios do EURO 2004?
-- Não. Francamente, não acredito. O nosso propósito, embora isso pudesse acontecer, nunca apontou no sentido da situação do estádio ser resolvido durante este mandato, mas sim de colocar o processo em marcha de uma forma que o tornasse irreversível. Corrigível, mas irreversível. Reconhecemos que existe um problema de rentabilidade daquele espaço, daquele edíficio, que tem de ser adaptado às novas exigências. Temos consciência que é algo que não se faz em dois anos. Para além de conseguir parceiros económicos, é um processo que do ponto de vista construtivo também demora algum tempo. Houve alguma preocupação em relação aos estádios do EURO'2004, que foram feito em tempo recorde. No entanto, o encurtamento dos prazos de obra também provoca um aumento dos custos em relação a uma construção que decorrer dentrop de um período normal. Nunca seria dentro de um mesmo mandato que a fita seria cortada. Estávamos e estamos determinados a encaminhar este Rio Ave para um caminho que está a ser assumido por um colectivo que pensa no futuro do clube e também partilha destes ideiais. Introduzir o Rio Ave num caminho que dê futuro ao clube e que torne irreversível o processo, empenhando-nos todos sem que haja forma de travar.

-- Então será um 'sonho' que pode continuar na mente de todos os rioavistas?
-- Vamos persegui-lo. Não se trata de um objectivo que depende exclusivamente das forças vivas de Vila do Conde. Estas são importantes para cativar alguns investidores. Trata-se de um problema empresarial grande, dado que estamos a falar de cinco milhões de euros. Esse montante só é atingível através de interesses económicos avultados que necessitam de resultados, como é óbvio.

-- Mas reconhece-lhe um potencial que, por enquanto, está longe ser explorado...
-- O Estádio do Rio Ave, por estar a ser embebido na cidade, encontra-se numa zona privilegiada em termos de acessibilidades, pelo que é um desperdício e vai encontro ao que sempre defendemos que é dar vida ao clube nos dias em que não haja futebol. A única forma de o fazer é virá-lo para fora. Se calhar inseri-lo dentro de um espaço cultura, comercial, desenvolver ali alguma actividade que pode estar ligada ao desporto mas não sendo o futebol puro e simples, dando uma vivência diária ao espaço que transcenda a realização dos treinos.

-- As obras do piso sintético só agora é que parece que vão ter início. Foi um atraso planeado ou surgiu algum contratempo?
-- O piso sintético vai começar a ser instalado no dia 12 (domingo passado). Até aqui suspendemos a obra que era para ter sido feita por opção, e bem, do departamento do futebol juvenil. A logística da realização da obra durante o campeonato iria provavelmente trazer resultados menos positivos ao perturbar o campeonato que a equipa de juvenis está a fazer. As equipas da formação poderão passar a jogar lá sem qualquer problema. Sabemos que não estamos a aumentar a área de treino, mas sim a melhorar a superfície de treino e a qualidade técnica dos jogadores. Friso porém que a área não foi aumentada e que os problemas que temos de ocupação vão continuar a fazer-se sentir. Vai ser possível é despenalizar o relvado natural, que poderá ser mais dedicado à equipa principal.

-- O Rio Ave tem o plantel praticamente fechado e com um assinalável equilíbrio entre os diversos sectores, estaremos perante o campeão do defeso?
-- Digo que não gosto do termo plantel fechado. O Rio Ave nunca tem o plantel encerrado enquanto legalmente for possível vender ou comprar jogadores. Ainda para mais quando o nosso clube tem a relação que se conhece com o mercado asiático e que permite trabalhar operações fora dos períodos normais de transferência dos mercados europeus. O plantel nunca está fechado. Mas eu diria que, se fosse necessário começar a época hoje, o Rio Ave poderia começá-la sem qualquer problema. Isso tranquiliza-me. O processo foi bem conduzido pelo chefe do departamento de futebol, Paulo Fangueiro, em sintonia com o António Sousa.

-- E acha que o novo treinador teve um papel activo na escolha deste plantel? Onde vamos encontrar o seu cunho pessoal?
-- Imagine uma corrida de Fórmula 1. Um corredor, falemos por exemplo do Michael Schumacher, pode correr e corre sempre num Ferrari. Essa é a equipa dele e, em termos gerais, o carro é o mesmo. Pode é dar alguma afinação. O António Sousa vai correr neste Ferrari, salvo seja, mas vai seguramente querer dar a sua afinação pessoal. Ele participou em todas as contratações que o Rio Ave fez e deu o seu aval. O que se pede ao Sousa é que, tal como um piloto da Fórmula 1, dê a sua afinação pessoal ao Rio Ave.

-- Sabe-se do interesse de alguns clubes no concurso de jogadores como o Mora, o Idalécio ou o Zé Gomes, há possibilidades de deixarem o clube?
-- O Rio Ave tem alguns jogadores com claúsula de rescisão. A partir do momento em que existem atletas nessa situação, e o mercado se encontra aberto, corremos sempre o risco deles poderem sair. Os clubes que estejam interessados só têm de exercer essa cláusula e o Rio Ave nada tem a fazer. Agora, reconheço que existem rumores em relação a alguns jogadores do Rio Ave que dão conta da possibilidade de ainda serem alvo de tentativas de contratação. É sempre uma preocupação. O fechar ou não deriva do que está escrito no contrato dos próprios jogadores. Não temos forma de conseguir inverter o processo a não ser que o jogador não queira sair e sim renovar pelo Rio Ave.

-- Não vai então facilitar em relação às claúsulas mais elevadas, de alguns desses jogadores?
-- Sem dúvida alguma.

Publicado por blogue do rio ave às 01:00

Comentários:





Excelente entrevista. Esperemos é que a viagem à Coreia, mais do que a transferência do Zé Gomes (que espero que continue cá), traga realmente outras 'sementes' para o desenvolvimento do clube.

Vou esperar para ver se realmente alguns destes sonhos, a médio / longo prazo, acontecerão...


:: uma recarga de João Carmo em junho 14, 2005 01:29 AM