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segunda-feira, 27 junho 2005

Paulo Morim: «No Pavilhão do Mindelo entramos a perder»

Categoria: Entrevistas Categoria: Futsal

Entrevista publicada no jornal 'O Norte Desportivo', conduzida por José Túlio.


«CRÍTICAS SÓ NOS FORTALECERAM»

A poucos mais de dois meses do arranque da nova época, o Rio Ave ainda vive as emoções de uma inédita subida à divisão principal. Após três anos na modalidade, os vila-condenses chegam ao patamar que se propuseram quando adquiriram os direitos desportivos do Touguinhó e agora é tempo de construir um plantel que dê garantias de lutar pela manutenção.

Image hosted by Photobucket.comA subida do Rio Ave à principal divisão do futsal português é o culminar de um trajecto que se inciou em 2002 com a aquisição dos direitos desportivos do Touguinhó. Ligado desde o arranque a este projecto, o treinador Paulo Morim assume a O NORTE DESPORTIVO que a contratação de Fernando Melo para a equipa técnica foi essencial para o alcançar do sucesso e, por isso, não tem dúvida em considerar que “não há treinador principal no Rio Ave”. A pouco mais de dois meses da estreia na I Divisão, os dois técnicos explicam as razões que levaram à subida de divisão e lançam um olhar sobre a próxima época.

-- Ao cabo de três anos no futsal, o Rio Ave atinge o patamar mais alto com a subida à I Divisão. É uma ascensão consolidada?
Paulo Morim – Sem dúvida. Fomos quintos no primeiro ano, depois quartos e esta época atingimos a subida de divisão que fazia parte do projecto que apresentamos à Direcção do Rio Ave aquando da aquisição dos direitos desportivos ao Touguinhó. Apesar deste projecto só existir por causa do Touguinhó, tenho a ideia de que se há três anos o Rio Ave não aceitasse entrar na modalidade, hoje não havia futsal em Vila do Conde.

-- A subida de divisão é o corolário da experiência adquirida em duas épocas em que o Rio Ave ficou sempre nos lugares cimeiros?
PM – O Rio Ave tem feito uma carreira em sentido crescente e todas as épocas o plantel tem sido reforçado, mas na temporada passada chegaram reforços de peso, caso do Mário e do Franklim, e, por outro lado, essencial na subida de divisão foi a chegada do Fernando Melo. Contra tudo e contra todos, no início da época, exigi a contratação dele porque sabia que era o tipo de pessoa que nos faltava na estrutura para termos sucesso. Os frutos dessa exigência estão à vista. O Rio Ave construiu um plantel homogéneo, com reforços que acrescentaram qualidade ao que já existia e, por isso, não me surpreendeu a subida de divisão e fomos mesmo a melhor equipa da nossa série.

-- O Fernando Melo, depois de alguns anos afastado dos bancos, aceitou o convite do Rio Ave. Acreditava na subida de divisão?
Fernando Melo – Quando saí do Boavista, em 2001, fui avisado que fazia mal em parar, mas, mesmo assim, optei por não aceitar qualquer convite. Para estar envolvido em algum projecto, tenho de acreditar nele e nas pessoas que me convidam. Foi o que aconteceu quando apareceu o convite do Rio Ave. Por muito que custe a algumas pessoas, o futsal em Portugal é um hobi, e, por isso, só faz sentido se estivermos nos clubes por prazer. Há algum tempo que o Paulo Morim vinha falando comigo e comecei a estar atento ao trajecto da equipa, percebendo, desde logo, que havia matéria-prima e vontade do clube em chegar à primeira divisão.

-- O facto de terem diferentes experiências, o Paulo Morim como ex-jogador de futebol e o Fernando Melo como ex-jogador de futsal, não criou conflitos de opinião?
FM – Nunca foi problema porque estivemos sempre em sintonia. Uma dos males do futsal é a existência de alguns catedráticos que acham que não têm nada a aprender com pessoas que têm a experiência de muitos anos ligados a outro desporto. O Paulo Morim, não sendo um treinador com formação de futsal, sabe muito bem como gerir um balneário e nesse aspecto foi fundamental na boa época que tivemos. O Rio Ave subiu de divisão porque os jogadores tiveram sempre unidos no mesmo objectivo. Nunca tive um grupo de trabalho com esta união.
PM – O grande segredo na nossa subida de divisão foi o espírito de grupo que já existia de épocas anteriores e foi consolidado na última temporada. No entanto, este ano tivemos connosco o bocadinho que nos estava a faltar que era a abertura do Rio Ave a novas ideias trazidas pelo Fernando Melo e pelos reforços. O grupo de trabalho não estava habituado a receber reforços.
FM – À equipa do Rio Ave faltavam uns pormenores para atingir o sucesso, mas foi importante os jogadores que cá estavam terem demonstrado sempre vontade de aprender porque a técnica já eles tinham.

-- O Rio Ave foi sempre apontado como um «outsider» na corrida pela subida de divisão. Como é que foi gerida essa situação?
PM – Houve alturas em que apesar de estarmos a liderar a prova fomos apelidados por um treinador nosso concorrente de «aberração» e que seria um atentado se subíssemos de divisão. Essas criticas só serviram para nos fortalecer, até porque esse treinador conseguiu safar a sua equipa da descida de divisão apenas na penúltima jornada. À medida que saíam esse tipo de comentários, colocávamos na porta do balneário para espicaçar ainda mais os jogadores. Por outro lado, nunca nos importamos muito com isso porque sabíamos que tínhamos condições para chegar ao fim num dos dois lugares da frente.
FM – A nossa preocupação foi fazer um bom plantel e trabalhar para subir de divisão. Esses comentários serviram para nos moralizar e de certa forma até os compreendo porque a equipa técnica do Rio Ave não está inserida dentro do lóbi de treinadores catedráticos que sabem tudo e mais alguma coisa e acham que têm sempre razão. É natural que as análises fossem sempre em favor dos amigos porque é a elogiarem-se uns aos outros que se conseguem manter no mercado de trabalho. Nós preferimos trabalhar e chegar ao fim com a missão cumprida.

-- Apesar da missão cumprida, o Rio Ave não se livrou de alguns sustos como as derrotas com o Monte Pedras e o Amanhã Criança, duas equipas que desceram de divisão…
FM – Não fomos uma equipa irregular ao contrário do que possa parecer. O Rio Ave foi a equipa que esteve mais tempo em primeiro lugar e quase nunca baixou do terceiro lugar. Essas derrotas não foram agradáveis, mas o Rio Ave, como tinha um plantel curto, sentiu dificuldades em alguns momentos para manter o nível exibicional. Sempre que estivemos completos não perdemos nenhum jogo.
PM – Sentimos alguns problemas porque tínhamos um plantel espremido. Sem querer ferir susceptibilidades, o nosso plantel tinha sete jogadores ao mesmo nível e quando faltavam dois ou três a qualidade de jogo ressentia-se. Por exemplo, em Coimbra jogamos sem dois jogadores e ainda perdemos mais dois nesse jogo. Foi uma fase difícil, mas nunca pusemos em causa a nossa capacidade de subir de divisão. Nada aconteceu por acaso, por isso, há dois anos viramos a primeira volta com seis pontos de vantagem e não fomos capazes de subir de divisão, e esta época não deixamos fugir essa possibilidade. Foi muito importante o apoio do público e da Direcção que nos deu mais do que aquilo que prometeu no início da época.

-- A derrota no Coimbrões na última jornada retirou a possibilidade do Rio Ave disputar o título de Campeão Nacional. Fica um amargo de boca?
FM – O objectivo principal fora atingido, por isso, nesse jogo não podíamos exigir mais aos jogadores. É evidente que depois de andarmos tantas jornadas em primeiro lugar e chegar à última jornada a depender de nós para disputar o título, que gostávamos de ter vencido o Coimbrões, mas o essencial foi alcançado.

«MANUTENÇÃO É O OBJECTIVO»

-- Quais são os objectivos do Rio Ave para a estreia na Primeira Divisão?
PM – Neste momento, a nossa prioridade vai para a construção do plantel que queremos equilibrado em valor. Vamos ter um grupo de trabalho homogéneo e com a agregação do futsal ao futebol profissional, temos todas as condições para dar estabilidade ao grupo de trabalho de forma a pensar no objectivo que tentaremos alcançar que é o da manutenção.

-- O objectivo é a manutenção ou atingir o «playoff»?
FM – A manutenção vai ser o nosso principal objectivo e esse pode ser alcançado com o acesso ao «playoff» ou então num dos dois primeiros lugares do «playout».Temos a noção que vai ser muito difícil porque a diferença entre a Segunda Divisão e a Primeira é maior do que parece, e, por exemplo, as duas equipas que subiram em 2003/2004, UTAD e AMSAC, desceram na época seguinte apenas com uma vitória, e, por outro lado, Braga e Rio Ave, os dois primeiros da série A, foram goleados esta época na Taça de Portugal, respectivamente, por Boavista e Alpendorada, duas equipas do meio da tabela da Primeira Divisão.

-- Para alcançar a manutenção o plantel vai sofrer muitas alterações?
FM – Há uma tentação das equipas que sobem de premiar o plantel e manter quase todos os jogadores, mas temos que nos deixar de lirismos e olhar para exemplos de sucesso, como o Olivais e o Sassoeiros, que tiveram a capacidade de reforçar o plantel na época de estreia e agora já têm um estatuto consolidado. Para tentar fazer um campeonato tranquilo, o Rio Ave vai precisar de melhorar bastante o seu plantel e é isso que estamos a fazer.
PM – Custou-me muito tomar a decisão de dispensar alguns jogadores que estavam connosco desde o Touguinhó, mas teve que ser. Apesar da Direcção não nos exigir nada em termos de resultados e dar-nos todas as condições de trabalho, sabemos que o Rio Ave tem um nome de prestígio que precisa de ser defendido.

-- A inexperiência de toda a secção na Primeira Divisão não pode ser factor inibidor?
PM – Sabemos que vamos aprender e encontrar coisas a que não estamos habituados, mas estamos preparados, por isso não entraremos de peito feito. A única coisa que prometemos à Direcção e aos sócios é que vamos dar sempre o nosso máximo.
FM – Era fácil para o Rio Ave estar com um discurso ambicioso e dizer que quer um lugar no «playoff», mas a realidade e o bom-senso obriga-nos a ser comedidos porque não sabemos o que vamos encontrar. Até podemos estar a fazer um bom plantel, mas os outros estarem a fazer um outro melhor. Quando a bola começar a rolar já teremos uma noção mais próxima do que podemos alcançar. Este princípio de trabalho levou-nos à Primeira Divisão e não vamos fugir dele.

-- É provável que na próxima época o Rio Ave, ao contrário de anos anteriores, perca mais jogos do que aqueles que ganhe…
PM – O mais difícil no desporto é saber perder. É nas derrotas que mais aprendemos e temos que saber lidar com elas sem arranjar desculpas de arbitragens ou do que quer que seja. Não será problema.

«NO MINDELO ENTRAMOS A PERDER»

-- O Rio Ave é mais um clube da SuperLiga de futebol que atinge a I Divisão no futsal. O que podem acrescentar estes clubes à modalidade?
PM – O interesse vai ser maior porque estes clubes têm massas associativas com outras dimensões e é natural que as atenções sobre a modalidade venham a crescer. No entanto, é preciso que esses clubes, a exemplo do que se faz no Rio Ave, estejam de alma e coração na modalidade e não apenas para marcar a sua presença.
FM – Não se pense que os problemas do futsal ficam resolvidos com a chegada destes clubes à Primeira Divisão. O Futsal sofre de um problema organizativo que é o reflexo da Federação Portuguesa de Futebol não entregar o futsal às pessoas que gostam e percebem a modalidade. Neste momento, num campeonato com 14 equipas, é um pouco irónico termos quatro profissionais, porque a prova é claramente amadora.
PM – O futsal com a evolução que está a ter vai acabar por ter um campeonato profissional com nove ou dez equipas.
FM – Mas para atingirmos esse patamar era preciso que o futsal fosse independente e gerido por pessoas que rentabilizem o espectáculo e o negócio. Neste momento, o futsal é um investimento sem retorno apesar do salto que foi dado esta época com as transmissões televisivas. Se continuar como está, o futsal vai rebentar porque é insustentável continuar com esta política da «avestruz» e cingido ao apoio que três ou quatro carolas.

-- O Pavilhão dos Desportos, que é a sala de visitas de Vila do Conde, não deveria receber o futsal do Rio Ave?
PM – Não sabemos se vamos continuar ou não no Pavilhão do Mindelo. Era excelente se pudéssemos jogar no Pavilhão dos Desportos porque o espectáculo sairia beneficiado. Não estou a ver o Rio Ave a fazer determinados jogos no Mindelo porque seriam preciso mais quatro bancadas iguais à que lá está. No Pavilhão do Mindelo, entramos a perder 1-0. Não podemos treinar e jogar em piso lento em nossa casa e o resto dos jogos fazê-lo em piso rápido. Se não pudermos jogar no Pavilhão dos Desportos, precisamos de um piso novo no Mindelo.
FM – A cidade de Vila do Conde merece receber bons espectáculos e a equipa de futsal do Rio Ave é capaz de produzir jogos de qualidade, com emoção e de ataque. Por isso, é importante jogar num pavilhão que tenha um piso que permita o jogo rápido.
PM – As pessoas responsáveis estão atentas ao problema e acredito que não vão defraudar as nossas expectativas.

Publicado por blogue do rio ave às 15:12

Comentários:





"A subida do Rio Ave à principal divisão do futsal português é o culminar de um trajecto que se inciou em 2002 com a aquisição dos direitos desportivos do Touguinhó.
Ligado desde o arranque a este projecto, o treinador Paulo Morim assume a O NORTE DESPORTIVO que a contratação de Fernando Melo para a equipa técnica foi essencial para o alcançar do sucesso e, por isso, não tem dúvida em considerar que “não há treinador principal no Rio Ave”. "

Notícia retirada do Jornal "O Norte Desportivo"

É claro que não há treinador principal porque o Sr. Paulo Morim não tem o 1º Nível de treinador de Futsal. Estava inscrito e poucas vezes o frequentou, mas mesmo assim devem ter-lhe dado o 1º nível que para ser treinador de 1ª divisão não chega. O Sr. Fernando Melo é que percebe de Futsal e ele sim, já tem o curso de treinador de Futsal.

Continuação de boa sorte.


:: uma recarga de Polemico em junho 27, 2005 04:35 PM


se es assim tao polemico ganha tomates e vai lhe dizer isso na cara... assim é k se ve os grandes homens, e nao mandar bocas e insultar as pessoas em blogs... mas se te sentes feliz assim tenho de compreender...abraço...


:: uma recarga de lamentavel em junho 28, 2005 01:10 AM


a novela continua... ainda por cima mexicana... vamos apoiar o rio ave e nao fazer estas figuras tristes em blogs...
ZZZZZZzzzzzzzzzzZZZZZZZZZZZZZz


:: uma recarga de ZZZZZzzzzzzzZZZZZ em junho 28, 2005 01:29 AM


Esta é fantástica... O treinador de futsal do Rio Ave não tem sequer o 1º Nível??????????? Isto é mesmo uma república das bananas. E como é que o autorizavam a estar no banco? De qualquer forma, tem de perceber alguma coisa do assunto, dado que a equipa subiu de divisão e era ele que estava de pé e falava para a equipa durante os jogos. Melhor do que isso só os vencimentos dos jogadores serem pagos em "subsídios de deslocações"... mas sobre isso ninguém vem para aqui protestar... será por medo do Ministro das Finanças?


:: uma recarga de Hugo Anjos em junho 28, 2005 02:18 AM


Sr. Hugo Anjos, não sei se sabe mas ele ia ao banco porque o Sr. Fernando Melo é que estava inscrito como treinador principal. Sabia disso? Porque ele não tinha 1º Nível e sabia também que só com o 1º nível não se pode treinar nenhuma equipa da 1ª Divisão? Ou então só se pode treinar o Rio Ave. :)

Eu quero o bem do Rio Ave como todos voçês, só não gosto é de gente sem escrúpulos e cheios de cagança e de peito feito, quando afinal não são nada a não ser à custa das amizades. Understand??

Felicidades para todos


:: uma recarga de Polemico em junho 28, 2005 09:21 AM