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terça-feira, 30 agosto 2005

Os felizes irmãos Barros

Categoria: Artigos Categoria: Notícias 2005/2006

Artigo publicado no jornal 'O Jogo', por Pedro Marques Costa

Fotografia: jornal 'A Bola'


Niquinha e Marquinhos - dois irmãos inseparáveis - marcaram na vitória sobre o Guimarães e ajudaram a colocar o Rio Ave na liderança do campeonato da Liga pela primeira vez na sua história. A família brasileira de Vila do Conde anda com muitos motivos para festejar

Não será inédito, mas é, no mínimo, pouco usual; Niquinha e Marquinhos estão ligados pelo sangue que lhes corre nas veias, mas também pela profissão que decidiram escolher, a de jogador de futebol. Mas não é tudo. Quis ainda o destino que jogassem no mesmo clube, que estivessem sempre próximos dentro do campo (actuam ambos na zona do meio-campo), e que no passado domingo tivessem contribuído com um golo cada para a vitória que colocou o Rio Ave pela primeira vez da sua história na liderança da Liga. "Foi um dos dias mais inesquecíveis nas nossas vidas... Não é todos os dias que dois irmãos que jogam no mesmo clube conseguem marcar um golo no mesmo jogo. É um sentimento especial e maravilhoso, porque para além da peculiaridade dos golos conseguimos também contribuir para a vitória da nossa equipa. E ainda estamos em primeiro lugar!", atiraram os dois, a uma só voz.

Os puxões de orelhas

Os onze anos que separam os dois irmãos fazem com que Niquinha tenha de desempenhar o habitual papel de 'chato', entregue geneticamente aos que tiveram a sorte de nascer primeiro no seio de uma família. "Ele 'puxa-me as orelhas' sempre que faço alguma coisa de errado. Está sempre atento, e se vê que estou a fazer algo que me pode prejudicar chama-me imediatamente à atenção", referiu Marquinhos, visivelmente bem disposto e... resignado à sua condição social. Mas não haverá momentos em que os papéis se possam inverter? A resposta do mais novo dos irmãos foi pronta. "É difícil, sobretudo no aspecto meramente desportivo, porque uma das facetas que mais admiro no meu irmão é o nível exibicional que consegue manter em todos os jogos. Esta é uma opinião quase unânime das pessoas ligadas ao futebol, pelo que não tenho grandes hipóteses de lhe 'puxar as orelhas'... Ele é mesmo bom no que faz".

Niquinha reconhece que, por vezes, tem um papel excessivamente pedagógico para com Marquinhos, e até deu um exemplo bem recente desta vontade de ajudar o irmão a melhorar a cada dia que passa. "Dentro do campo somos todos iguais, embora por vezes até reclame mais com ele do que com qualquer outro jogador. Por exemplo, na partida de domingo, o Marquinhos perdeu uma bola que podia ter dado um contra-ataque perigoso do Guimarães, e na altura deu-me uma enorme vontade de reclamar com ele... E só não o fiz porque ele estava muito longe! Se estivesse mais perto até era capaz de lhe puxar mesmo as orelhas... (risos)". Está comprovado: irmão mais novo sofre mesmo...

O efeito Carlos Brito e a chegada de Sousa

O início da pré-temporada do Rio Ave deixava antever muitas dificuldades para António Sousa, sobretudo pelos resultados pouco animadores obtidos pela equipa, mas aos poucos foi-se esquecendo a enorme e pesada herança deixada pelos sucessos de Carlos Brito, como revela o experiente Niquinha. "O grupo sentia que havia uma expectativa muito grande em torno desse assunto. Mudamos de treinador, chegaram vários jogadores novos e o Carlos Brito, a quem aproveito para desejar as maiores fecilidades do mundo, tinha construído um passado sólido em termos exibicionais e de resultados. No entanto, o mister Sousa soube - e ele próprio já o assumiu com uma grande humildade - aproveitar o que de bom foi feito pelo seu antecessor, independentemente de ter um estilo e uma filosofia diferentes relativamente ao Carlos Brito. Por exemplo, em termos tácticos agora jogamos em 4x4x2 e antes actuávamos em 4x3x3. Continuamos muito bem e isso é o mais importante", referiu.

Tácticas diferentes para o Dragão

O próximo jogo do Rio Ave é frente ao FC Porto, em pleno Estádio do Dragão. Apesar de ainda faltaram sensivelmente duas semanas para o encontro que colocará frente-a-frente dois dos actuais líderes da Liga, O JOGO convidou desde já Niquinha e Marquinhos a analisar as possibilidades do Rio Ave. No entanto, as tácticas adoptadas por ambos através da palavra foram antagónicas. "Ainda faltam quinze dias, e não quero falar já sobre o FC Porto. Deixo isso para a próxima semana. Para já, quero gozar a liderança, começar a treinar com tranquilidade, com humildade, e não pensar no próximo adversário. Vamos, esta semana, relaxar um pouquinho, no bom sentido do termo, claro está!", adiantou Niquinha.

Marquinhos preferiu jogar ao ataque. Ou melhor, em contra-ataque: "Vamos defrontar o grande FC Porto, uma equipa recheada de grandes valores, mas pretendemos obter um bom resultado. Qual? Jogamos sempre para ganhar, embora o empate também não seja mau, nem deixaria certamente o grupo triste".

Competição europeia? Não há "argumentos"...

A fasquia estava alta, mas António Sousa, no dia da sua apresentação como treinador do Rio Ave, fez questão de a elevar ainda mais. "Espero fazer melhor do que o Carlos Brito, e se tivermos a possibilidade de lutar por um lugar europeu não vamos desistir", referiu na altura, aquilo que para muitos podia parecer utópico. Na verdade, a permanência é (e continua a ser) o único objectivo assumido pelos responsáveis vila-condenses, e até mesmo pelos jogadores, que, no entanto, não enjeitarão a possibilidade de chegar cada vez mais longe no campeonato da Liga. "Toda a gente sabe que apenas nos exigem a permanência, e é para isso que lutamos todos os jogos. Contudo, com o decorrer da época, e se tivermos essa possibilidade, tentaremos chegar a uma competição europeia, porque seria bom para os jogadores, para o clube e até para a cidade. Mas, sinceramente, acredito que para conseguirmos isso teríamos de ter outros argumentos, que neste momento não temos". Falou a voz experiente de Niquinha.

As fotos e vídeos que seduziram Marquinhos

Marquinhos sempre viu no seu irmão mais velho um exemplo a seguir, recordando-se de algumas histórias da sua infância que o marcaram definitivamente para o futuro, comprovadas pelo presente. "Sempre vivi com um irmão que jogava futebol, e lembro-me de quando ele chegava a casa e nos mostrava fotografias e vídeos dos jogos em que actuava; e eu achava aquilo espectacular! Comecei desde cedo a ganhar o gosto pelo futebol e agora sou um profissional que tem a sorte de ter o irmão por perto. É uma situação diferente, mas ao mesmo tempo a concretização de um sonho de infância", afirma.

Niquinha completa 150 jogos no Dragão

Os números de Niquinha desde que está ao serviço do Rio Ave são verdadeiramente impressionantes. Contabilizando todas as provas, e até mesmo a passagem de três anos pela Liga de Honra (entre 2000 e 2003), o médio brasileiro já somou 258 (!) jogos oficiais com a camisola verde e branca vestida, nos quais apontou 15 golos no total. Se a estatística se centrar exclusivamente nos encontros do campeonato da Liga, Niquinha participou em 149 partidas, tendo marcado nove golos. Ou seja, e se não houver nenhum contratempo, Niquinha vai realizar a centena e meia de jogos daqui a duas semanas, na visita do Rio Ave ao Estádio do Dragão.

Um feito notável para um jogador que se apresenta em grande forma aos 33 anos de idade - faz 34 no próximo mês de Setembro. Mas afinal, qual é o segredo para o constante rejuvenescimento de Niquinha? "É muito importante o trabalho diário no campo, mas considero que é ainda mais importante a vida que um jogador leva longe dos relvados. Temos de ter cuidado com o nosso corpo e eu sempre tive. Depois também tenho uma família - a minha mulher e a minha filha - que sempre me ajudaram muito ao longo destes anos. Basicamente são estes os segredos", revelou.

Marquinhos ainda não tem um historial tão vasto, até porque realizou apenas no passado domingo o seu quarto jogo oficial no Rio Ave. "Gostava de seguir os passos do meu irmão. Tenho muito orgulho na carreira dele", atirou.

O inseparável percurso

Niquinha nasceu no Estado de Minas Gerais, mas mudou-se cedo para Franca, uma cidade do estado de São Paulo, precisamente onde nasceu Marquinhos uns anos mais tarde. "A nossa família continua por lá e nas férias vamos sempre visitá-los", relembrou Niquinha. Mas as vidas dos dois irmãos andaram sempre ligadas, inclusivamente quando Niquinha teve de abandonar São Paulo para prosseguir a carreira no Náutico, do Recife. "Fiquei por lá quatro anos, e foi a cidade onde conheci a minha esposa. O Marquinhos também foi para lá viver connosco, tendo começado por essa altura a ganhar a paixão pelo futebol, pois jogava nas camadas jovens do clube".

Depois seguiu-se o convite do Rio Ave e a viagem para Portugal, em 1997. Marquinhos chegou apenas no ano seguinte a Vila do Conde, novamente para acompanhar o irmão, tendo integrado a equipa juvenil do Rio Ave com apenas 15 anos de idade. "No início foi muito complicado... Pensei muitas vezes em regressar ao Brasil, mas graças ao meu irmão e à minha cunhada fui ficando. Felizmente segui os conselhos deles, pois agora sinto-me realizado em Portugal", relembra Marquinhos, que ainda teve de passar três anos emprestado (Vianense e Oliveira do Bairro) antes de se afirmar no plantel principal durante a temporada transacta.

No entanto, Niquinha e Marquinhos já não moram sobre o mesmo tecto, e o mais velho dos irmãos explica porquê. "Foi uma opção nossa e muito pensada, porque eu não sou eterno e ele tem de seguir a sua vida. Estou mais próximo de terminar a minha carreira, apesar de ainda faltarem uns anos - mais uns três não seria mau! - e ele deve continuar a caminhar sozinho após a minha retirada", considerou.

Publicado por blogue do rio ave às 16:08

Comentários:





Grande trabalho do jornal 'O Jogo' e do PMC. Parabéns!

Quanto aos nossos irmãos Barros, simplesmente espectaculares. É bom que o irmão Marquinhos siga as pisadas do Niquinha - arrisco-me a dizer, um dos melhores e mais profissionais atletas que já alguma vez passaram pelo nosso clube.

Curiosamente, Vila do Conde já era rica em irmãos Barros. Falo dos dois irmãos que mantêm, a escassos metros da decrépita sede do nosso Rio Ave, uma oficina de reparação de bicicletas e motociclos... Adolfo e Domingos Barros (também poeta e artista plástico), dois grandes vila-condenses que honram a cidade, tal como estes Barros vindos, em boa hora, do lado de lá do Atlântico.

E vivam os Barros!


:: uma recarga de João Carmo em agosto 30, 2005 04:47 PM


Vivam o Rio Ave e todos os seus adeptos, quer se chamem Barros ou não. Já agora, a pontuação do TOTORIO quando sai? O pessoal está ansioso...


:: uma recarga de Hugo Anjos em agosto 30, 2005 09:31 PM


Regras e instruções:

(...)

- Os pontos acumulam de jornada a jornada e serão publicados os resultados todas as semanas (entre terça e quarta-feira)

Hugo, os resultados do TOTORIO experimental serão brevemente publicados. Fui informado de que o Departamento de Jogos do BdRA está a tratar desse dossier hehehe


:: uma recarga de João Carmo em agosto 30, 2005 10:45 PM


Volto a pedir, ESTÁTUA DE NIQUINHA EM FRENTE AO ESTÁDIO!! (COM O GAMA AO LADO)! FORÇA RIO AVE!!!


:: uma recarga de Renato Sousa em agosto 31, 2005 10:44 AM

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Recenseado em agosto 19, 2006 04:06 AM