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quarta-feira, 14 setembro 2005
António Sousa: «Mexidas de pendor defensivo? Penso que não!»
Categoria: Entrevistas
No rescaldo da derrota no Dragão, o Blogue do Rio Ave, como vem sendo seu hábito, falou com o treinador do nosso clube. António Sousa, em discurso directo, deu-nos a sua perspectiva desse encontro e lançou já as primeiras ideias para a importante recepção ao Estrela da Amadora. Igualmente curioso foi ler as respostas do treinador a algumas das importantes questões levantadas pelo BdRA na mais recente edição do «Riomatón». A ler!
-- Que tipo de reflexão mais aprofundada lhe merece a recente derrota frente ao Porto?
-- Analisando tudo o que se passou no jogo, decidi endereçar os parabéns a toda a equipa. Pelo desempenho, pelo trabalho, dedicação e forma como estiveram durante quase todo o tempo de jogo. Enalteci isso mesmo ao grupo de trabalho. A sua postura foi ao nível do que temos vindo a fazer no início de campeonato. Digna, excelente, com bom comportamento global. Agora falham sempre algumas coisas. Estávamos conscientes de que seria um jogo diferente. Mais rápido, contra uma equipa muito boa. O jogo tornou-se muito mais rápido pelo facto do relvado estar molhado. Daí termos sentido algumas dificuldades, principalmente na transição para o ataque.
-- A posse de bola seria triunfo contra a pressão alta dos portistas. Notou que a equipa perdeu essa capacidade ao tentar jogar um estilo mais directo?
-- Esse foi o nosso grande problema. Não tivemos capacidade de resposta. Nisso há que dar mérito ao adversário. O FC Porto estava a jogar em casa e apresentou-se galvanizado e motivadíssimo. Temos de ter a noção e consciência de que ao longo do ano encontraremos equipas mais fortes do que o Rio Ave, com outra capacidade. Isso sentiu-se desta vez. De qualquer forma, um ou outro atleta talvez tivesse sentido um pouco a importância do jogo. Talvez por isso não tivemos a qualidade na posse de bola que vínhamos demonstrando até aqui. Foi o único senão, no fundo, em termos globais, que senti em relação à equipa. Depois, na ponta final, foi o desânimo que pesou. Somou-se a falta de concentração e discernimento. Independentemente da forma como as coisas estejam a decorrer, temos de ser capazes de nos levantar de imediato mesmo que em alguma altura acabemos por cair. Não podemos ficar de braços caídos.
-- Então acha que a equipa sentiu que não podia ganhar, agarrou-se ao 0-0 e sentiu no golo um golpe forte que a deixou por terra?
-- Foi um golpe forte porque os jogadores sabiam que o tempo estava a esgotar-se. Faltavam poucos minutos e, sofrendo um golo naquela altura, a equipa cai. Existe ainda a galvanização normal da outra equipa, que passa para a frente do marcador. A falta de reacção foi momentânea. Em relação ao futuro, vamos continuar mais fortes. Estas coisas menos boas permitem aprender, até porque inevitavelmente voltarão a acontecer mais cedo ou mais tarde no futuro. Temos de estar preparados. Agora, a equipa está melhor, tendo crescido ainda mais.
-- Adriaanse mete três suplentes e ganha.. fruto dessa aposta. Sousa o que pensou fazer? Reflectiu bastante?
-- Pensei em lançar, principalmente, um homem que pudesse aguentar mais a bola na frente. Dos homens que tinha no banco, o Keita era o elemento mais capaz para desempenhar essas funções, pela sua capacidade física. Dava-me algumas garantias de poder segurar a bola mais longe da nossa área. A opção foi essa. Tentei ainda refrescar o meio-campo com a entrada do Delson.
-- As primeiras mexidas não foram de pendor demasiado defensivo?
-- Penso que não. O Delson é um indíviduo que joga mais no meio-campo ofensivo do que propriamente defensivo. O próprio André Vilas Boas entrou porque havia necessidade de responder ao facto do FC Porto estar a actuar com dois pontas-de-lança. Era necessário dar estabilidade à nossa equipa.
-- Nessa altura ainda acreditava que era possível surpreender o FC Porto?
-- Eu acreditei sempre. Parti convicto de que era possível surpreender o FC Porto. Desde a primeira hora. Por isso lhe digo que não estou satisfeito e não estou convencido. É a minha opinião.
-- Estes abanões podem ser positivos em face de um jogo com o Estrela, onde o Rio Ave terá, eventualmente, de fazer de FC Porto?
- Algum dia tinhamos de perder. Devemos é ser capazes de retirar ilações de um resultado menos bom. Esta é a filosofia que temos de usar para encarar o filosofia. Estamos mais adultos e melhores do que há oito dias atrás, porque isto ensina-nos e faz-nos melhores. Contra o Estrela da Amadora, o Rio Ave voltará a ser a equipa das primeiras jornadas, com mais trabalho e sintonia reforçada. Vamos querer ser ligeiramente superiores e ainda melhores, sempre com respeito pelo Estrela da Amadora. É uma boa equipa. Vem de uma vitória e está galvanizada pelo facto de estar na SuperLiga. Tive o cuidado de ir ver à Amadora este encontro que fizeram com a Naval. Sabemos o que vêm procurar, mas dentro das quatro linhas tentaremos vencer o jogo.
-- E em sua casa, bom ambiente após a primeira derrota enquanto técnico do Rio Ave?
-- Não podemos misturar as coisas entre o futebol e a vida familiar. Por acaso a minha mulher foi ao estádio com a minha filha, como costumam fazer. Assistem à maior parte dos jogos. Reagiram com tristeza. Embora goste do FC Porto porque é adepta desde pequenina, neste momento acaba por ser como eu: adepta incondicional do Rio Ave e esperava que o Rio Ave tivesse ganho.
-- Acaba por ser melhor não ganhar ao FC Porto do que a outra equipa?
-- Poderia a equipa ficar atordoada se fosse frente a uma formação de dimensão menor. De qualquer forma, uma derrota é sempre uma derrota e custa três pontos. O mais importante é não perdermos a confiança naquilo que possuímos, no que somos e queremos. Acreditando no nosso potencial. A partir do momento em que tivermos confiança, a alegria e o entusiasmo no trabalho dão-nos espírito para continuarmos a encarar este projecto de forma positiva.
-- Vem aí o jogo frente ao Estrela, a equipa está preparada para ultrapassar a derrota no Dragão?
-- Por nós, o jogo com o Estrela da Amadora seria já agora. Seria o ideal para esquecer um pouco este resultado menos bom. Vamos continuar a trabalhar com calma e tranquilidade, para no domingo termos uma boa prestação.
-- Conta com os 27 jogadores do plantel todos disponíveis?
-- O Diogo ainda está um pouco atrasado em termos de condição. Está clinicamente apto, vem sendo incorporado quase normalmente, apesar de um cuidado ou outro. O percurso que ainda resta não é longo, mas requer mais algum tempo. Até para ele próprio sentir confiança.
-- E a integração dos reforços, sente que tem estado a um nível excepcional?
-- Eu também sou novo e também tive de me adaptar a uma nova filosofia, uma nova casa, pessoas novas. Há que dar o mérito e os parabéns, principalmente, ao espírito de grupo. É o grande segredo da integração fácil dos novos reforços. A partir do momento em que existe um balneário fortíssimo nesse aspecto, os atletas criam o seu espaço e aparecem com naturalidade na equipa.
Publicado por blogue do rio ave às 15:41
O mister pode ter alguma razão em relação ao Keita, mas o facto é que só entrou aos 84', quando o campo já estava irremediavelmente inclinado. No restante, fomos a reboque dos andrades. Continuo a pensar que faltou um homem rápido que provocasse instabilidade à defesa do FC Porto. Mesmo o Keita, tentando segurar a bola de costas para a baliza, era sempre uma referência fácil e dificilmente desorganizaria os andrades. Que saudades de jogos como o da Luz na época passada. Já agora uma dúvida: quem foi, e onde estava este ano, o jogador que correu 60 metros na Luz com a bola controlada antes de dar a assistência para o Jacques marcar? Reforçando as ideias que já deixei na crónica ao jogo e neste último «Riomatón», volto a dizer que acho que pagamos caro a aposta, quase cega, no 0-0. É óbvio que o Keita poderia ter entrado mais cedo (e apenas entrou aos 84'), mas a falta de soluções, no banco, para as alas era um claro «handicap» para a nossa equipa. Gama, pois claro... Mas não foi o único 'em falta'... Penso que fazia todo o sentido o Rio Ave ter-se apresentado no dragão com um sistema táctico a previligiar os alas. Mas parece-me que o Sousa se manterá fiel ao 4-4-2 durante a época !! Com mt pesar da minha parte, na medida em que coloca de lado jogadores como Evandro, Agostinho, Gama e Fábio Coentrão (e eu que pensava que poderia ser a sua época). Não quero com isto dizer que sou contra o sistema de jogo utilizado, apesar do futebol praticado não ser tão bonito, a eficácia e a consistência acabam por produzir os efeitos desejados, diga-se a Vitória e consequentemente os 3 pontos. Bem lembrado, Luís. Mais do que os outros extremos, custa-me de facto que um diamante em bruto como o Fábio Coentrão nem conte para o Totobola neste sistema implantado pelo nosso técnico. Eu até aceito essa transformação para o 4x4x2, mas desde que a equipa continue a ter rotinas que lhe permitam, quando necessário, voltar a correr riscos em 4x3x3 como acontecia no passado. Fez-nos falta essa ousadia no Dragão, mas atenção que contra equipas fechadinhas, como deve ser o Estrela da Amadora no domingo, convém ter sempre trunfos na manga... Penso que o grande problema foi a mentalidade com que o Rio Ave encarou o jogo. Tudo bem que o Porto e perigoso no ataque e nao convem descurar cuidados defensivos, mas as alas do nosso clube nao existiram, condicao quase essencial para o funcionamento do contra ataque.
:: uma recarga de Hugo Anjos em setembro 14, 2005 03:49 PM
:: uma recarga de João Carmo em setembro 14, 2005 04:19 PM
:: uma recarga de Luis Lopes em setembro 14, 2005 04:44 PM
:: uma recarga de Hugo Anjos em setembro 14, 2005 05:34 PM
Fabio Coentrao seria uma aposta a lancar este ano. E um valor seguro da nossa formacao, nao lhe cortem as pernas.
:: uma recarga de paulo sousa em setembro 14, 2005 08:29 PM
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