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domingo, 2 outubro 2005

Acordar tarde…

Categoria: Jogos 2005/2006

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Rio Ave e Boavista empataram, ontem ao final da tarde, a uma bola num jogo ‘frio’, desinspirado, mas também bastante prejudicado pelo forte vento norte que se fez sentir no Estádio do Rio Ave. Após uma primeira parte sem golos e com motivos de interesse quase nulos, o regresso dos balneários trouxe alguma dinâmica ao jogo. Os visitantes, beneficiando da entrada do móvel Lucas para o lugar do estático Tiago, começaram bem a segunda metade do jogo e o golo de Manuel José acabou por ser uma consequência natural desse mesmo ascendente. Bem organizado defensivamente e esclarecido no contra-golpe, o grupo de Carlos Brito chegou, assim, ao 1-0 com naturalidade. A equipa do Rio Ave, se já antes acusava um crescente nervosismo e o acerto ofensivo era nulo, a perder por 0-1 começou a «desesperar» e nada lhe saía bem. Poder-se-á dizer que a equipa de António Sousa acordou tarde, mas ainda a tempo de refazer a igualdade. Ora, fruto de um golpe oportuno de cabeça, por Gaúcho, a beneficiar de um livre bem cobrado por um dos recém entrados - Agostinho, o Rio Ave lá empatou. Tivesse Sousa mexido mais cedo no onze inicial e talvez o despertar dos seus pupilos trouxesse um maior amargo de boca aos boavisteiros. Talvez, porque ainda assim este foi um resultado justo, com uma repartição de pontos que penaliza um Rio Ave trapalhão e um Boavista demasiado expectante.

Carlos Brito, após muitos anos ao serviço do Rio Ave enquanto jogador e depois como treinador, estreou-se ao final da tarde de ontem como técnico, frente à sua antiga equipa. O saldo do confronto, um empate a uma bola, foi mais do que justo. Rio Ave e Boavista proporcionaram uma primeira parte bastante fraca, perturbada pelo vento e pela desinspiração mútua. Os anfitriões tentaram, sem consequência, assustar William, mas não conseguiram melhor que um remate à figura do guarda-redes do Bessa, por Chidi e uma perdida clamorosa, sob a esquerda do ataque, após excelente desmarcação de Marquinhos. Os boavisteiros, a fazerem um jogo de contenção, espreitando sempre o contra-ataque e a mobilidade de unidades como Zé Manuel, Fary, Diogo Valente ou João Pinto, nunca importunaram Mora.

Na segunda parte houve golos e um pouco mais de futebol. Primeiro foi Manuel José que, correspondendo a um excelente movimento da ala direita boavisteira, leu bem o cruzamento e empurrou, em vôo, a bola para o fundo das redes do Rio Ave. Depois, dois minutos após os 90’, e com a equipa a atacar, quase em desespero, com 5 unidades mais o apoio dos laterais, Gaúcho restabeleceu a igualdade após livre superiormente batido por Agostinho. Pelo meio, duas perdidas flagrantes de Fary, na cara de Mora, uma grande defesa de William (a remate espectacular de Gaúcho) e um primeiro ensaio do mesmo Gaúcho para o golo, mas de cabeça e para as nuvens. À condição, Rio Ave e Boavista repartem o 5º posto da geral com dez pontos e uma classificação tranquila. No entanto, os dois técnicos não deviam estar tranquilos, pois os ajustes, de parte a parte, são mais do que necessários.

Enquadramento

O Rio Ave regressava ao seu Estádio após uma viagem de má memória à Figueira da Foz onde, defrontando a Naval, foi incapaz de somar qualquer ponto e, pior do que isso, rubricar uma exibição decente. O registo pontual na Liga era o mesmo dos visitantes do Boavista – 9 pontos - que, agora com Carlos Brito no comando, ainda não haviam perdido na Liga e Vila do Conde era mais um reduto onde importava segurar o recorde.

Tácticas

Fiel ao seu esquema de 4x4x2 losango e ao mesmo onze que tem sido opção ao longo destas primeiras seis jornada da Liga, António Sousa não surpreendeu e apostou exactamente na mesma linha. Mora – Zé Gomes, Danielson, Idalécio e Milhazes – Mozer – Niquinha, Cleiton – Marquinhos – Chidi e Gaúcho. Um Rio Ave com um meio-campo robusto e onde a experiência de Mozer ou Niquinha se alia à espontaneidade de Cleiton ou Marquinhos. O Boavista, de Carlos Brito, desenhado num esquema de 4x2x3x1 com duas linhas bastante móveis e talhadas para o contra-ataque. Uma primeira, destruidora (e também de contenção) com Tiago e Manuel José, uma segunda com um tridente ofensivo formado por Zé Manuel, João Pinto e Diogo Valente mais próximos do avançado senegalês Fary Faye.

Positivo

Organizados. O Boavista de Brito, esta tarde, embora tenha estado muito longe de ser vistoso, deixou boas referências no plano defensivo e no jogo de contenção. Além disso essa boa organização mostrou um onze sempre preparado para rápidas saídas de contra-ataque, quase sempre explorando movimentações pelos dois flancos.

Algum querer. Pese o jogo menos feliz do lado do Rio Ave, alguns dos seus atletas mantiveram-se inexcedíveis na luta por um resultado mais favorável. Remates e iniciativas atacantes por Gaúcho, Zé Gomes, Milhazes, Niquinha ou os recém entrados Delson ou Agostinho, nunca faltaram.

Sempre a andar. Pedro Henriques, um árbitro moderno, pouco dado ao choro «manhoso» dos jogadores e ao anti-jogo. Com a bola sempre a rolar, mesmo com um futebol sem sal, os nervos não fervem tanto e o espectáculo torna-se mais estimulante.

Amizade. Carlos Brito hoje era adversário, mas pelo muito que fez pelo nosso clube, a par dos seus actuais adjuntos (Lúcio Pereira e António Costa) foi justamente ovacionado pelo público rioavista.

Negativo

O afunilamento 'de lo habitual'. É claro que Milhazes e Zé Gomes não chegam para as depesas nas alas. Cansam-se e nem sempre têm sucesso. Agostinho entrou bem e mostrou que quando a equipa 'estende' o campo, os adversários vêem a vida complicar. Porque não apostar mais nos flancos?

Vento. Um companheiro sem presente nos ‘Arcos’ e com natural prejuízo do espectáculo.

45 minutos. Os primeiros. Jogo lento e mal jogado. Entendiante.

Público. Pouco. Talvez centena e meia de axadrezados e uma bancada coberta (dos sócios) com imensas clareiras. Assim o espectáculo raramente tem a emotividade dos jogos de «sonho» e os jogadores acusam essa «nudez» no público.

Alguma emotividade, mas pouco futebol. O título diz tudo.

Acordar tarde ou adormecer cedo? Nem o Rio Ave devia ter acordado para o jogo tão tarde (a três minutos do apito final), nem o Boavista devia ter descurado tão cedo a consistência defensiva até aí evidenciada. Saldo: um empate justo.

Destaques

O duro!: Cadú. Numa partida disputada com grande desportivismo apenas «vacilou» numa entrada dura sobre um jogador do Rio Ave, a meio da segunda parte.
Que pesadelo!: Marquinhos e Fary. Isolou-se uma vez na cara de William Andem… E falhou. O senegalês teve duas oportunidades e não fez melhor…
O dandy: Agostinho. Entrou a 20 minutos do final e trouxe uma dinâmica ofensiva surpreendente à equipa. Até aí inexistente. Emprestou o seu talento à cobrança do livre que colocou a bola na cabeça de Gaúcho, no 1-1.
Ás: William. Quando os jogadores de campo não sobressaem, nas balizas podem-se desencantar heróis. A defesa que roubou o golo a Gaúcho, ainda com o resultado em 0-1 favorável à sua equipa, vale o título. Jogo atento e «elasticidade» q.b. a redimir os erros do último jogo frente à Académica.

Ficha do Jogo

Árbitro: Pedro Henriques (Lisboa)

Rio Ave (4x4x2 losango): Mora - Zé Gomes, Danielson, Idalécio, Milhazes – Mozer (Delson, 71) - Niquinha, Cleiton Goiano (Keita, 80) – Marquinhos (Agostinho, 71) - Chidi, Gaúcho.

Boavista (4x2x3x1): William – Rui Duarte, Hélder Rosário, Cadú e Areias – Tiago (Lucas, int), Manuel José – Zé Manel (Cissé, 74), João Pinto e Diogo Valente – Fary Faye (William Souza, 81).

Golos: 60' Manuel José (0-1), 90' + 2 Gaúcho (1-1).


Publicado por blogue do rio ave às 02:31

Comentários:





Este post é dirigido ao Alexandre e Miguel Dias.
vocês sabem da minha opinião acerca do C.Brito. Sou dos poucos sócios/adeptos que não gramam o gajo e que assumem que não devem favores ao gajo. Vocês conhecem-me e sabem a minha opinião sobre o homem (isso mesmo com agá minúsculo). Agora o ter o primeiro empate e logo em casa contra este gajo, o rei dos EMPATAS é dose, nem no meu camião cabe toda esta areia. Ainda pra mais não pude assistir ao jogo, pois tive que ir a um casamento, a primeira falta que tive esta época, depois de um jejum de 2 anos e meio. Tou mesmo fodido do cabeço.


:: uma recarga de Sócio 845 em outubro 2, 2005 02:57 AM


Pois é, conheço essa tua opinião, mas também sabes que sempre a achei incompreensível. O Brito é até agora o maior da história do Rio Ave, só espero que o António Sousa possa pelo menos chegar lá perto.


:: uma recarga de Miguel Dias em outubro 2, 2005 11:12 AM


O percurso do Carlos Brito no Rio Ave está acima de gostos pessoais. Cada um tem o seu. O currículo, esse, é inquestionável. Ontem, porém, o Boavista fez uma primeira parte vergonhosa. Não me lembro de ver uma equipa FAZER ZERO REMATES EM VILA DO CONDE A JOGAR A FAVOR DO VENTO. Deve ser histórico.

Ainda assim, enquanto o Rio Ave teve azar nas duas oportunidades claras da primeira parte, o Boavista ao segundo remate fez logo um golo. Assim é complicado. Continua a faltar consistência ao nosso ataque e os passes errados são de bradar aos céus, o que não se compreende num meio-campo com quatro homens e numa equipa que joga com as linhas tão próximas. Valeu o orgulho, coração e raça demonstrados na recta final. Ao fim e ao cabo, também sabe bem sentir que, quando é preciso, esta equipa tem sangue quente a correr nas veias. O empate aceita-se, mas a haver um vencedor só podia ser o Rio Ave.


:: uma recarga de Hugo Anjos em outubro 2, 2005 11:40 AM


O Rio Ave de Carlos Brito não é, seguramente, o Rio Ave de António Sousa.
Enquanto o primeiro priveligia o chamado «carrocel» no meio campo, em que as unidades do miolo pautam os tempos do jogo, ensaiam as jogadas de ataque fazendo-o, acima de tudo, porque conscientes de que a melhor arma de uma equipa de futebol é a posse de bola; o nosso Sousa, pelo que já nos foi dado a ver, transformou o sistema táctico bem mais para lá da já várias vezes enunciada opção pelo 4x4x2 em detrimento do 4x3x3: o futebol do nosso clube é, definitivamente, vertical, pelas faixas - veja-se como Zè Gomes e Milhazes são peças fundamentais nas manobras do colectivo -, a bola não passa obrigatoriamente pelo meio campo e a transição defesa-ataque é feita através de lançamentos longos á procura da velocidade dos extremos ou da capacidade de rotação e distribuição do jogador que se encontrar na posição de avançado-centro.
Se é verdade que em certas partes dos encontros o nosso futebol parece menos envolvente do que na época passada, temos que ver que se trata de um esquema táctico que promove passes mais arriscados e menos tempo de circulação de bola. Curiosamente - digo isto sem dados estatísticos e apenas por intuição - julgo que criamos tantas oportunidades de golo como no ano transacto. Se a isto acrescentarmos que o António Sousa está a conseguir valorizar, como há já uns bons anos não se via, o muito futebol que o Gaúcho ainda tem para dar, penso que só podemos estar optimistas quanto ao desempenho do Rio Ave para esta época.
Como qualquer treinador de bancada, deixo aqui uma pequena (embora, a meu ver, substantiva) sugestão ao nosso Mister: dê mais minutos ao Delson.


:: uma recarga de Alexandre Dias em outubro 2, 2005 12:01 PM


Nao sei o que os restantes bloguistas pensam, mas na minha opiniao o Rio Ave fez um jogo muito fraco. Nao ha paciencia para ver Chidi perder bolas atras de bolas e ver tantos passes errados. Penso que o unico que se safa e Gaucho que fez o seu trabalho. Depois do E. Amadora, da derrota com a Naval e este empate com o Boavista fico com a sensacao de que o Rio Ave esta muito fraquinho se comparado com o inicio que teve. Vamos para a frente Rio Ave!!!


:: uma recarga de paulo sousa em outubro 2, 2005 09:21 PM


Muito sinceramente apenas aqui venho pra demonstrar o meu desagrado pela grande maioria dos adeptos do rio ave, pois parece que têm memória de peixe (apenas dura 3segundos. Foi muito bonito terem batido palmas de pé no momento de entrada do Sr. Carlos Brito em campo e logo de seguida já o tavam a insultar.. Deviam era agradecer muito a esse Sr. por tudo o q fez no rio ave e pelo rio ave.. Até eu q n percebo quase nd de futebol n tinha problemas em chegar ao balneário do rio ave e por 11 a jogar, é tão facil.. Basta pegar no excelente trabalho do Carlos Brito e colmatar as saidas, o rio ave é ainda hoje 90% do trabalho q o Brito lá deixou! Por isso acho q muitos Sócios e adeptos deviam era ter vergonha na cara..


:: uma recarga de Hugo em outubro 3, 2005 03:35 PM


estou sintonizado com o comentário do alexandre dias. pelo que me apercebi segue os jogos do rio ave à distância, mas demonstrou ter imparcialidade de julgamento, e não fez o que já vi aqui muitas vezes, comparar o antónio sousa com o carlos brito. temos um treinador diferente do carlos brito, mas com os mesmos objectivos – garantir a manutenção. o carlos brito faz parte do nosso passado futebolístico (por 2 vezes) e há que respeitar e admirar esse passado, mas a nossa realidade hoje é outra e há que viver-la e apoiar o antónio sousa como apoiamos o carlos brito e outros treinadores.

o miguel dias diz que “O Brito é até agora o maior da história do Rio Ave”; pergunta:

E PARA VOCÊS, QUAL É O MAIOR TREINADOR NA HISTÓRIA DO RIO AVE?

da minha parte estou indeciso entre o quinito (5º lugar) e o mourinho (final da taça), mas não tenho dados estatísticos, para julga-los a todos.


:: uma recarga de Afonso Henriques em outubro 3, 2005 05:35 PM


Alexandre, fico feliz de te ver a participar e estou à espera do teu comentário da próxima jornada contra o Sp. de Braga na sexta dia 14 às 21:30.


:: uma recarga de Sócio 845 em outubro 3, 2005 07:07 PM

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