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sábado, 15 outubro 2005
Derrota preocupante
Categoria: Jogos 2005/2006
Ao cabo de 7 jornadas a equipa «sensação» Sporting de Braga mantém-se no topo da Liga e agora, à condição, volta a liderar a classificação geral da divisão maior do futebol nacional. Esta noite o conjunto de Jesualdo Ferreira bateu o Rio Ave por 2-1 numa partida com poucos lances de perigo, uma arbitragem desastrada de Paulo Costa e, para cúmulo, dois auto-golos, um para cada equipa. Azar para Paulo Santos, único guarda-redes invicto na Liga até aqui – e que ficou a algumas dezenas de minutos de bater o recorde do histórico Bento – pois viu um colega de equipa, Andrés Madrid, a deixar cair por terra um sonho prestes a tornar-se realidade. Vandinho, num jogo fabuloso e em que foi «Ás», deu a vitória à sua equipa já além do tempo regulamentar e quando o empate estava prestes a brindar, com inteira «justiça», os dois conjuntos.
Com um arranque promissor na partida, o Braga deixou logo nos primeiros minutos de jogo a imagem daquilo que seria a sua primeira parte: total domínio de todas as operações, forte organização táctica e, sobretudo, esclarecimento e muita vontade a defender, mas principalmente a atacar. A única pecha dos «arsenalistas» era a linha avançada – Bevacqua é esforçado mas quer João Tomás, quer Delibasic estão a anos luz de qualidade do argentino e seguramente teriam garantido outro perigo às redes de Mora. Com inteligência, Jesualdo Ferreira ordenara aos extremos Luís Filipe e Rossato para fecharem «no meio», mostrando conhecimento do esquema mais do que previsível de Sousa e «secando» os vértices Niquinha – Cleiton – Marquinhos. Além disso, com um meio-campo funcional e pressionante – impressionante também pelas acções do ex-Rio Ave Vandinho – o Rio Ave não existia. Quando tentava existir ou caía na teia do Professor, qual «velha raposa», ou ao segundo passe a bola ia para fora ou para os pés de um adversário. O auto-golo de Milhazes, a meio do primeiro tempo, foi apenas a cereja no topo de dois bolos – o da glória de um Braga forte, somente macio no posto de ponta-de-lança e o do desnorte de um Rio Ave absolutamente sem rumo.
No começo da segunda parte, e sem fazer muito por isso, o Rio Ave chegou à igualdade, «violando» pela primeira vez esta temporada as redes invictas do guardião Paulo Santos. Livre batido por Marquinhos – na cobrança de uma falta que parece não existir – e Madrid, num gesto infeliz, a introduzir a bola na sua própria baliza. O Rio Ave crescia, o Braga acusava alguma intranquilidade. Agora mais dominadora, a equipa de Sousa partia para cima da área bracarense, sem contudo nunca colocar em perigo as redes do quase-recordista Paulo Santos. Excepção a um livre superiormente executado por Cleiton – e com direito a defesa soberba para canto do «dandy» Santos – e ainda para um lance em que o mesmo médio brasileiro parece ser derrubado por Jorge Luiz dentro da grande área encarnada. Um penalty por marcar e Paulo Costa assobiando, sempre vaidoso, para o lado. Depois de um reajuste de forças na última dezena de minutos do jogo, eis que o recém entrado Jaime Júnior coloca a bola em Jorge Luiz que, com um cruzamento largo, põe a bola em Vandinho e o ex-Rio Ave, na emenda, toca para golo. Mora fica a ver o esférico passar, mas também parece ser «placado» pelo colega Milhazes. Um mal nunca vem só e Milhazes que o diga. A vitória do Braga, já nos descontos, castiga um Rio Ave parco em futebol jogado, mas acaba por premiar este «arsenal» de consistência que esta temporada continuará a morder o calcanhar dos «grandes». Com João Tomás e Delibasic a conversa será outra.
Enquadramento
Após 15 dias de descanso, a equipa de Vila do Conde regressava ao seu terreno depois de na jornada anterior ter conseguido um empate – no limite – contra o Boavista de Carlos Brito. O objectivo era claro: vencer e quebrar o registo de zero golos sofridos, até aqui, pelo adversário. O Braga, depois de ter batido a Naval 1º na ronda passada, queria continuar invicto, no que a golos sofridos e derrotas dizia respeito, dando assim a melhor sequência a um brilhante arranque de temporada – 6 jogos, 4 vitórias e 2 empates. O passado de encontros disputados nos ‘Arcos’ dava razões de sobra para Jesualdo Ferreira se preocupar: desde 1979/80 que o Braga, em Vila do Conde e para a Liga, havia jogado 13 ocasiões, perdendo oito, empatando três e apenas vencendo por duas vezes.
Tácticas
Fiel ao seu esquema de 4x4x2 losango e ao mesmo onze que tem sido opção ao longo destas primeiras seis jornadas da Liga, António Sousa surpreendeu ao deixar o desgastado Mozer no banco entrando para o seu lugar o brasileiro Delson. Um Rio Ave com o seu meio-campo disposto num losango muito «esticado» e absolutamente sem qualquer profundidade nas alas. O Braga, de Jesualdo Ferreira jogando num 4x3x3 rapidamente transformável num 4x5x1 defensivo, com duas linhas a meio campo tapando o losango do Rio Ave e um bom desdobramento ofensivo de 4x3x3 (1-2 e 2-1) com um trio de ataque formado por Luís Filipe e Rossato nas alas, apoiando Maxi Bevacqua.
Positivo
O Professor, uma «Velha Raposa». Com a lição táctica bem estudada, o Professor Jesualdo Ferreira deu mais uma vez o exemplo de como é possível anular o esquema contrário, sem com isso praticar um futebol defensivo. Ainda que o ataque nem sempre tenha sido vistoso. Este é o rosto do sucesso de um Braga cada vez mais ambicioso.
Claques. Quer os Red Boys, quer os Bracara Legion ou até mesmo os rioavistas dos Green Zone deram sempre um apoio consistente às suas equipas, colorindo um espectáculo bastante mal jogado dentro das quatro-linhas.
Negativo
Lances de perigo? Quase zero. Na primeira parte a única oportunidade de golo foi um tento na própria baliza, favorável ao Braga. Na segunda parte, salvo os dois golos, registo para apenas um livre bem cobrado por Cleiton.
Bevacqua não é solução. Em Braga suspira-se pelo regresso ao activo de João Tomás – que viu o jogo desde a bancada central – e também do sérbio-montenegrino Delibasic. Este ponta-de-lança argentino não é solução, apenas um recurso e de qualidade duvidosa.
Paulo Costa. Com erros a apontar para os dois lados, mas uma grande penalidade sobre Cleiton e o não assinalar de uma falta que permite ao Braga chegar ao 2-1 são motivos suficientes para a equipa da casa se queixar do seu trabalho.
Rio Ave. Sectores desligados, passividade no meio-campo, ataque inconsequente e um futebol previsível e lento. Alas despidas e os dois laterais em contínuo desgaste físico e anímico. O desacerto nas opções tácticas e substituições operadas desde o banco liderado por Sousa ainda tornaram o quadro verde-branco um pouco mais negro.
Destaques
Que pesadelo!: Milhazes. Auto-golo, placagem ao seu guarda-redes no 2-1 final e uma série de lampejos ofensivos quase sempre pautados por uma vontade imensa, mas de muito pouca qualidade.
O dandy: Paulo Santos. Não teve grande trabalho, até sofreu um golo – ainda que apontado por um colega seu na própria baliza – mas quando foi chamado a intervir – por exemplo, no livre superiormente executado por Cleiton – fê-lo com uma defesa do outro mundo, impedindo o Rio Ave de chegar à vitória.
Ás: Vandinho. Exibição de gala. Laborioso nas tarefas defensivas e sobretudo na recuperação de bola, deu sobretudo nas vistas na transição defesa-ataque, inventando linhas de passe, dando fluidez ao miolo bracarense e correndo desenfreadamente o jogo todo. Nunca em vão. O golo da vitória foi o prémio para o melhor e «único» jogador em campo que fez por praticar Futebol.
Ficha do Jogo
Árbitro: Paulo Costa (Porto)
Rio Ave (4x4x2 losango): Mora - Zé Gomes, Danielson, Idalécio, Milhazes – Niquinha – Delson (Evandro, 78), Cleiton Goiano – Marquinhos – Chidi (Keita, 60), Gaúcho (Fábio Coentrão, 87).
Braga (4x5x1 desdobrável num 4x3x3): Paulo Santos – Abel (Jaime Jr., 71), Nunes, Nem, Jorge Luiz – Madrid – Vandinho, Hugo Leal (Sidney, 65) – Luís Filipe, Maxi Bevacqua e Rossato (Davide, 57).
Golos: [0-1] Milhazes, 28' (p.b.); [1-1] Madrid, 54' (p.b.); (1-2) Vandinho, 90+2'
Publicado por blogue do rio ave às 20:06
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Recenseado em agosto 19, 2006 04:03 AM