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quinta-feira, 17 novembro 2005
Sousa pede um "número 10" à Direcção
Categoria: Entrevistas

Nos últimos dias, o nosso técnico, António Sousa, destacou-se por dia de duas entrevistas. Uma ao sítio oficial do nosso clube, lançando o debate em torno da necessidade de um "número 10" para o plantel. Na outra, a solicitação do Jornal Correio da Manhã, aborda sobretudo situações relativas ao futebol em geral e ao nosso campeonato, mas também deixa claro que no Rio Ave não existem salários em atraso. A versão integral ser lida na entrada estendida deste post. Para já, o assumir inequívoco da necessidade de, ao contrário do que sucedeu nas últimas épocas, o Rio Ave ir às compras em Dezembro para estar preparado para a reabertura do mercado, em Janeiro.
- Vai precisar de reforçar a equipa?
- O campeonato é longo e vamos ter grandes batalhas pela frente. Acresce que, eventualmente, vão começar a surgir algumas lesões e castigos que poderão condicionar a estrutura da equipa. Tenho uma noção clara daquilo que pretendo para o futuro desta equipa e, se porventura o Clube tiver possibilidades financeiras de dar mais qualquer coisa, ficarei satisfeito. Mas, não quero com isto dizer que não estou satisfeito com a situação actual. Em todo o caso, queremos sempre mais, sobretudo no que respeita ao volume e qualidade ofensiva.
- Ou seja, se houver necessidade de contratar alguém será para a frente de ataque?
- Um homem que em termos ofensivos fosse mais criativo e aquilo a que no futebol apelidamos de ‘número 10’. Um jogador que me desse, em termos de ligação de meio-campo/ataque, mais qualquer coisa do que aquilo que tenho.
- Já tem alguém referenciado?
- Não, não tenho. Isto é uma análise fria e real em relação às necessidades da própria equipa. Sei quais são os objectivos e as limitações do Rio Ave em termos financeiros e o mais importante é procurarmos o equilíbrio. É fundamental que, no que respeita ao pagamento de vencimentos, o Clube continue a ter a mesma seriedade que tem tido até aqui. Isso é importante para a harmonia, a lealdade e a alegria do grupo de trabalho. Prefiro que o Rio Ave chegue ao fim do mês e pague, do que gastar mais dinheiro na contratação de novos jogadores e depois não ter capacidade para aguentar. Se for essa a situação, é preferível deixar o plantel tal como está.
Ao Correio da Manhã, em entrevista conduzida pela jornalista Alexandra Tavares-Telles, foi este o discurso do nosso técnico:
Novas tecnologias davam cabo do futebol
O treinador do Rio Ave, António Sousa, não esconde o seu descontentamento com as análises feitas ao Benfica-Rio Ave. Diz que os ‘encarnados’ estiveram pior e que a sua equipa merecia a vitória. Não esconde que os erros de arbitragem aconteceram e manifesta-se efusivamente contra as novas tecnologias que pretendem introduzir no futebol para evitar os lances duvidosos. “São erros e fazem parte do jogo”, disparou.
Correio da Manhã – No final do jogo com o Benfica criticou a arbitragem. O Benfica não tem iguais razões de queixa?
António Sousa – O que digo é que o Rio Ave foi à Luz fazer um jogo brilhante, jogou muito melhor do que o Benfica e não foi isso que foi dito e escrito nos Media. Os jornalistas não conseguem despir a camisola. O que é preciso é esconder queo Benfica jogou pior que nós. Para a Imprensa, aquele jogo resumiu-se ao fora-de-jogo, no segundo golo do Rio Ave. Mas ninguém diz que foram marcados dois livres sem que tivessem existido as respectivas faltas. No segundo golo do Benfica isso é gritante. Os jornalistas levam as camisolas vestidas porque FC Porto, Sporting e Benfica são os que vendem.
– Quanto aos árbitros...
– Os árbitros erram mas, por regra, estamos a falar de pormenores. É como essa conversas das tecnologias. Isso dava cabo do futebol.
– Não são erros como o que aconteceu no Sporting-U. Leiria que dão cabo do futebol?
– Não. Isso acontece de vez em quando. São erros, mas o futebol é um jogo assim.
– Um ‘chip’ poderia ter impedido o fora-de-jogo no lance do segundo golo do Rio Ave...
– E quando há um fora-de-jogo de posição para que serve um ‘chip’? Sou absolutamente contra o recurso à tecnologia. É uma conversa fiada que destruiria o futebol.
– É contra a abolição dos fora-de-jogo?
– Também sou contra. Ao contrário do que se pensa, o jogo teria tendência a ganhar um pendor mais defensivo. Basta isto: sem fora-de-jogo, colavam-se logo três jogadores ao guarda-redes. Penso que essa ideia não interessa a ninguém.
– Na era dos ‘discípulos de Mourinho’, faz questão de dizer que é um ‘discípulo de Pedroto’...
– Digo-o com toda a honra, porque para mim ele é um dos treinadores do século e o melhor da sua geração. Um homem culto que sabia respeitar e fazer-se respeitar, empenhadíssimo, conhecedor. Ninguém brincava na hora do trabalho mas na altura da descontracção tinha uma capacidade enorme de criar bom ambiente com o seu bom humor.
– Hoje, Manuel José pode tornar--se mais uma vez campeão de África. Os treinadores portugueses estão em alta?
– Tenho com Manuel José uma fortíssima relação de amizade e falamos muitas vezes. Ele tem feito coisas extraordinárias no estrangeiro. Todos nos devemos orgulhar dele.
– Nessas conversas, ele queixa-se de ter sido obrigado a imigrar?
– Não, porque é inteligente. Como nós, ele sabe que o futebol português vive numa intranquilidade constante e a todos os níveis. Por isso sabe que não perde nada em não estar aqui.
– Já pensou ir treinar para o estrageiro?
– Até agora não. Não tenho espírito de imigrante. Se um dia aparecer uma hipótese, não sei. Da maneira que as coisas estão...
– Carlos Brito deixou-lhe um Rio Ave muito organizado. Foi fácil pegar na equipa?
– Apesar de ter perdido três pedras importantes havia um esqueleto de equipa. Mas devo dizer que no início senti da parte das pessoas, alguma apreensão porque foi preciso mudar alguns hábitos. E alguns deles, alterei-os radicalmente como é o caso do esquema de jogo – de um 4x3x3 passei para 4x4x2 ou 4x2x1x3. Felizmente, a assimilação foi rápida tornando possível, desde cedo, a rentabilização do grupo. Foi muito positivo, mesmo sabendo que em relação ao ano passado houve uma redução orçamental na ordem dos 500 mil euros (100 mil contos).
– Com tantos cortes, foi um risco aceitar o convite?
– Os dirigentes sempre me permitiram estar calmo e tranquilo. Desde a primeira hora que assim é. Depois, tenho muita auto-estima. Sou um homem auto-confiante. Como não tive a oportunidade de dar um passo em frente nem ter um projecto com mais ambição – que já merecia – aceitei este convite e com muito gosto.
– Essa oportunidade ainda não apareceu porque razão?
– Não faço ideia.
– No Rio Ave há salários em atraso?
– Os compromissos do clube estão a ser cumpridos religiosamente. Em termos de cobertura ao grupo e serenidade, estas pessoas são inexcedíveis. Temos um excelente ambiente.
– Incomoda-o pensar que na Liga jogam quase tantos estrangeiros como jogadores nacionais?
– É a nossa sina. Temos que vender os melhores e ir buscar os mais baratos. E aí, o mercado brasileiro é muito mais barato do que o nosso, quando estamos a falar de jogadores já feitos. Em Portugal não há tempo para apostar na prata da casa, porque é preciso vencer o próximo jogo. Até nos três ‘grandes’ não se têm visto resultados da formação. O Benfica, por exemplo, tinha a obrigação de apresentar mais resultados. A nível nacional não há hipótese para apostar em valores que precisam de tempo para se afirmarem. Não ganhando hoje, amanhã estamos na rua. As pessoas não percebem a importância da estabilidade. Veja-se o caso do Carlos Brito. Esteve no Rio Ave durante três anos e fez um belo trabalho, ou o meu caso, no Beira-Mar mar, ou o do Jesualdo Ferreira, no Braga. A estabilidade é fundamental.
– É isso que tem faltado ao FC Porto?
– O FC Porto viveu uma transição muito complicada. E prevejo para o clube uma época muito idêntica à anterior. Até porque os pequenos estão cada vez mais próximos dos ‘grandes’ e não venham dizer que os pequenos só defendem. Por vezes até pode acontecer, mas é esporádico. Não fomos ao Dragão defender e muito menos o fizemos na Luz.
– Paulo Bento tem futuro no Sporting?
– Acredito que Paulo Bento está sustentado por uma estrutura sólida. É claro que vai precisar da confiança do grupo e julgo que essa não lhe faltará uma vez que conhece bem os jogadores. Mas não vai ser fácil e tenho a certeza de que ele tem consciência disso.
– Acha que ele correu um grande risco ao aceitar o convite nas condições em que o fez?
– Concordo que a queda pode ser maior, mas não acredito que, neste caso, o Paulo Bento seja um treinador de recurso. Julgo que ele não se sujeitaria a uma situação temporária. Estamos a falar do futuro dele...
"OBRIGARAM-ME A SER TREINADOR"
cm – Sempre pensou tornar-se treinador de futebol?
A.S. – Não. É curioso, enquanto jogador sempre disse que não me imaginava no papel de treinador. Admitia mesmo não ter feitio para a profissão.
– O que se passou então?
– Fui completamente empurrado pela minha mulher e por dois amigos. Obrigaram-me a ser treinador. A certa altura, e sem o meu conhecimento, inscreveram-me no curso e tive de aceitar. E pronto, assim surgiu mais um treinador.
– Foi o seu feitio que mudou ou a profissão não era o que pensava?
– Foi uma aprendizagem. Como sou muito tímido pensei que não me adaptaria.
– Nunca se arrependeu?
– Nunca. Ainda bem que eles me inscreveram no curso.
– E a sua mulher, também nunca se arrependeu?
– Acho que não.
– Gostaria que o seu filho Ricardo escolhesse a carreira de treinador?
– Não. Se puder ser outra coisa, prefiro.
"NÃO TENHO SÚVIDAS: BAÍA É O MELHOR"
Sobre Scolari e a selecção nacional: “Não conheço Scolari, nunca falei com ele. Sobre a equipa, julgo que temos um grupo equilibrado, exceptuando no que diz respeito à baliza. Respeito outra opinião, mas não tenho dúvidas que Vítor Baía é o melhor guarda-redes português”.
– Acredita que o afastamento do guarda-redes se deve a critérios técnicos?
– Acredito que sim. Quero acreditar que sim.
"O MEU FILHO PODIA JOGAR NUM GRANDE"
CM – É pai de um jogador de futebol, neste momento, a actuar no campeonato alemão. Acha que o Ricardo merecia ter tido outras oportunidades em Portugal? Acha que é jogador para um dos três ‘grandes’?
A.S. – O Ricardo foi do Boavista para a Alemanha. E no panorama português, o Boavista já é um clube de certa dimensão. Mas vejo no meu filho atributos e sei que tem condições para jogar num dos grandes clubes portugueses. Se fosse treinador de uma dessas equipas era capaz de desejar ter ao meu serviço um jogador com as características do Ricardo. Digo isto não por ser pai dele, mas como técnico e ex-jogador de futebol.
A FINAL DE VIENA
António Sousa foi campeão europeu pelo FC Porto em 1987 em Viena e sente que esse feito ainda continua presente nos portugueses. “Não me parece que se tenham esquecido. Pela minha parte, pelo menos, não tenho razões de queixa...”
PERFIL
António Sousa, casado, dois filhos. Tem 48 anos, nasceu em São João da Madeira no dia 28 de Abril e foi na Sanjoanense que começou a jogar futebol. Tinha 15 anos. Aos 18 vai para o Beira-Mar, onde está quatro épocas e é em Aveiro que o FC Porto o descobre. Ao fim de cinco anos troca as Antas por Alvalade. Joga no Sporting durante dois. Volta ao FC Porto, assina por três épocas e sagra-se campeão europeu e do mundo. Ao fim dos três anos é vítima, com Fernando Gomes, Lima Pereira e outros, da famosa ‘vassourada’ de Ivic. Volta ao Beira-Mar onde está quatro anos. Termina onde começou, na Sanjoanense. Jogador internacional pelas Selecções júnior, esperanças, B e A, o médio inicia, sem querer, a carreira de treinador: um ano e meio na Sanjoanense e sete anos e meio no Beira-Mar, com destaque para a conquista de uma Taça, antecederam o Rio Ave.
Publicado por blogue do rio ave às 17:28
O Sousa quer um número dez? Eu dou-lhe já duas sugestões: Ricardo Nascimento e Ricardo Sousa... ahahah... Era evidente que esta invenção do Marquinhos na zona de criação do meio-campo não ia durar muito, ainda para mais quando o Diego não conta para o totobola, está muito verde e dificilmente terá sequer alguma oportunidade. Por tudo isso não percebo a razão pela qual não fomos atrás do Juninho Petrolina (onde é que anda agora?)no início da época. Será verdade que o nosso técnico não o quis?
:: uma recarga de Hugo Anjos em novembro 17, 2005 05:58 PM
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Recenseado em agosto 19, 2006 04:03 AM